OPINIÃO

Esta moto é a rainha da boa onda

Se Steve McQueen fosse vivo, muito provavelmente esta moto faria parte da coleção do rei do cool. A BMW R Nine T Racer evoca as motos de corrida dos anos 1970 e é uma neo-clássica com muito estilo que atrai os olhares curiosos de toda a gente. Homens e mulheres.

Texto de Fernando Marques | Fotografia de Mário Ribeiro | Produção e seleção de produtos de Rute Cruz

A BMW R NineT Racer evoca de todos os ângulos as motos de corrida dos anos 1970. É o próprio director criativo da gama Heritage, Ola Stenengard, que assume a inspiração no modelo Concept 90, criado pela Roland Sands Design – empresa californiana especializada em motos, componentes e acessórios personalizados – para homenagear a BMW R 90 S da década de 1970.

Sendo o mais recente modelo da gama Heritage, partilha alguns componentes com as irmãs mais velhas; motor (o caraterístico e histórico boxer com 1170cc), o quadro, o depósito de combustível e as jantes de alumínio fundido. Já a semicarenagem e os avanços de guiador são novos. Inicialmente, a posição de condução é vincadamente desportiva, é necessário ir debruçado sobre o depósito para chegar aos comandos, o que em andamento causa um misto de estranheza e retribuição, mas já lá vamos.

No aspeto desportivo, a Racer não se comporta como uma desportiva atual – é uma moto exigente fisicamente, sobretudo se utilizada no dia-a-dia em condução urbana. As suspensões e os travões são competentes mas não são uma referência. As desportivas recentes são máquinas com um nível de precisão incrível, muito mais tolerantes para o corpo, e já não é preciso frequentar um ginásio para as conseguir conduzir.

Aos comandos, e escolhendo a estrada certa, sentimo-nos como objeto de uma experiência de Ivan Pavlov: a Racer exige foco e concentração, curva após curva, e retribui-nos com a inebriante expetativa de ouvirmos o borbulhar das notas graves que saem do escape Acrapovic nas acelerações e nas reducões, uma e outra vez. Só é pena que este acessório não venha de origem.

Outros detalhes salientam-se de cada vez que olhamos para esta Racer: o farol que só podia ser com lâmpada de halogéneo de luz amarelada; a forma como os mostradores analógicos ganham vida quando se roda a chave da ignição; a perfeição do ponto no banco de pele cosida; as jantes de raios; a tampa da correia do alternador HP e os coletores de escape (três opcionais de fábrica).

BMW R NINE T RACER

GOSTÁMOS:
Design, qualidade de construção, som do escape Acrapovic, altura ao chão e centro de gravidade baixo.

NÃO GOSTÁMOS:
Peso, posição de condução e o facto de os pormenores que a «embelezam» serem opcionais ou extras

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