OPINIÃO

Quer acabar com todo esse stress acumulado? Grite!

Não é bonito andar por aí a gritar quando o mundo parece querer esmagar-nos, mas pelo menos é eficaz: relaxa, gera bem-estar, liberta endorfinas e emoções reprimidas. E sempre é melhor ir gritando em doses controladas do que acabar numa berraria pegada.

Texto Ana Pago | Fotografias Shutterstock

Poucas coisas nos trazem tanto alívio como gritar. O computador flipou e, com ele, o trabalho de três dias que estávamos já na fase de rever antes de entregar? Aaaahhhh!!!! O nosso melhor amigo acaba de ligar a dizer que se confirma o plano da viagem juntos, mas leva a nova namorada (que por sinal não nos suporta, ou nós a ela)? Aaaahhhh!!!!! Sair por aí aos gritos não é visto com bons olhos, porém é capaz de ser do mais libertador que há. Se não acredita, experimente e perceba o bem que nos faria a todos ter uma cabina de gritos no escritório.

Gritar livra-nos de frustrações, medos acumulados, ânimos exaltados. Aplaca angústias, ansiedade, dores.

«Pode ajudar a libertar tensões e até, de certo modo, a clarificar emoções. Ao exprimir o que temos cá dentro fica mais fácil compreender o que nos perturba», confirma o psicólogo Vítor Rodrigues, apologista de um bom grito sentido, arrancado às profundezas da agonia na altura certa. «A sociedade costuma proibir-nos de gritar, pelo que o soltar propositado da capacidade vocal pode dar-nos uma agradável sensação de poder – sobre as nossas próprias emoções e não só.»

Gritar livra-nos de frustrações, medos acumulados, ânimos exaltados. Aplaca angústias, ansiedade, dores. Eleva os índices de energia e gera bem-estar desde que saibamos como, quando e onde gritar – muito diferente de andar a vociferar com os outros e a espumar de raiva, que tem muito pouco de natural ou terapêutico.

Segundo um estudo da Universidade Drexel, EUA, gritar aumenta em dez por cento os níveis de força de uma pessoa.

Não admira que uma das criações do inventor Pep Torres, fundador do Museu de Ideias e Inventos de Barcelona, seja justamente uma cabina para gritar no escritório quando os nervos estão ao rubro (chamou-lhe scream cabin, um cubículo insonorizado que substitui as sessões de choro na casa de banho).

Em Cádis, noticia o jornal El País, o resort espanhol Royal Hideaway Sancti Petri propõe uma escapadinha wellness diferente com o programa shout therapy: passar um fim de semana a gritar junto ao mar, deixando sair aos berros tudo o que é negativo.

Segundo um estudo da Universidade Drexel, EUA, gritar e grunhir aumenta em dez por cento os níveis de força de uma pessoa, menos capaz caso a aplique sem esse grito enérgico a ajudar. Fisicamente, parece que os sons elevam a potência dos sinais elétricos que o cérebro envia aos músculos para se contraírem.

Em termos emocionais, gritar traduz-se em confiança e numa autoestima que se refletem positivamente na ação. Diversos estudos demonstram ainda que gritar ativa o sistema opioide endógeno, que reforça a nossa tolerância à dor.

Claro que existem maneiras mais calmas de reduzir o stress do dia-a-dia, inclusive com menor risco de um eventual dano das cordas vocais se a tensão for excessiva, concede Vítor Rodrigues. Ainda assim, gritar será uma das mais imediatas, mais próxima da espontaneidade instintiva observada nas crianças.

«Mesmo constatando haver gritos de emoção positiva e negativa, em ambos os casos podemos obter alívio e clarificação interior», afirma o psicólogo. Como diriam alguns psicanalistas, e ele concorda, o grito é a nossa expressão mais primordial.

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