OPINIÃO

Mulheres da Legião Portuguesa preparadas para a guerra

Dois anos antes do início da Segunda Guerra Mundial, um grupo de mulheres da Legião Portuguesa recebia lições de enfermagem, com conhecimentos úteis a aplicar em caso de conflito. Sem esquecer a ameaça química.

Texto Ana Patrícia Cardoso
Fotografia Arquivo DN

Em 1939, a Alemanha de Hitler invade a Polónia e estala a Segunda Guerra Mundial – na qual Portugal não se compromete, mantendo uma neutralidade ambígua. Mas antes disso, em 1937, na sede da Cruz Vermelha Portuguesa, em Lisboa, promovia-se uma formação de enfermagem para as mulheres que integravam a Brigada Naval da Legião Portuguesa.

No dia 15 de abril de 1937, o Diário de Notícias dava conta de uma formação prática que envolvia «a aplicação de pensos e ligaduras» e a «colocação das máscaras anti-gás e sua higiéne». O jornal realçava o «grande interesse e entusiasmo», demonstrado pelas formandas.

Para se ser legionário, bastava ter 18 anos e fazer o juramento para servir a Nação segundo os princípios da organização.

Criada no ano anterior por ação direta de Salazar, no poder há quatro anos, a Legião Portuguesa, controlada pelos ministérios do Interior e da Guerra, era, na prática, uma milícia popular que juntava elementos de direita mais radicais e que atuava em várias frentes, visando controlar uma possível mobilização da esquerda e conter as forças armadas, que se esperava subjugadas ao poder político. Para se ser legionário, bastava ter 18 anos e fazer o juramento para servir a Nação segundo os princípios da organização.

Embora dominada por homens, a organização não governamental admitia mulheres.
Uma parte das legionárias concentrara-se na Brigada Naval, organismo mais autónomo da Legião que atuava como reserva relativamente à Marinha de Guerra. Na eminência de conflito este grupo de mulheres prestaria cuidados de enfermagem e transporte de feridos.

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