OPINIÃO

Como são feitos os preservativos?

No Dia Internacional do Preservativo, fomos saber como é fabricado este meio de contraceção e de proteção de doenças sexualmente transmissíveis.

Furos, defeitos e resistência são passados a pente fino. Tudo em nome do prazer e de uma contraceção segura.

Neste assunto, não se facilita. Afinal, estamos a falar de prazer de homens e de mulheres, de bem-estar físico e espiritual, de contraceção, de doenças sexualmente transmissíveis. De sexo seguro. Por isso, atenção máxima a um produto que se quer elástico, flexível, fácil de colocar, que não rompa durante o uso, que não falhe em momentos importantes, que passe despercebido mas que cumpra a sua função. Das tripas de animais ao látex de borracha natural, os preservativos evoluíram e o processo de produção tem etapas definidas e que exigem todo o cuidado.

Como são feitos os preservativos? Perguntámos a quem percebe da arte. «A produção do preservativo de borracha natural é realizada através da dupla imersão de um molde num banho em látex, com aditivos e vulcanização do composto, de seguida vai a um forno de temperatura regulada, e termina com uma operação de lavagem e secagem. Assim que o produto está finalizado, a embalagem é produzida em duas etapas: controle eletrónico individual e embalagem de folha», explica a Control que tem fábrica em Alcorcón, Madrid, desde 1992, e que produz atualmente 220 mil preservativos por dia.

Parece simples, mas não é bem assim. Durante todo o processo, há testes apertados e exigentes de controlo de qualidade. Os preservativos são analisados à lupa. Revirados do avesso.

É preciso verificar se há furos e porosidades; analisar se há defeitos; testar a resistência com máquinas de volume e pressão; passar a pente fino o comprimento, a largura e a espessura em controlos dimensionais; confirmar a integridade da embalagem que tem de estar devidamente selada; e ainda controlar rótulos. Há normas estabelecidas que têm de ser cumpridas antes de o produto ser colocado à venda.

O encaixe do pénis, de vários tamanhos e grossuras, e a resistência para não romper durante o ato sexual são dois aspetos fundamentais quando se fala na eficácia de um preservativo. Depois do linho e de intestinos de animais, chegou-se ao látex de borracha natural como o material mais eficaz para produzir preservativos. As propriedades de barreira deste material não passaram despercebidas e estudos comprovam que esta matéria-prima é a mais indicada para um produto que se quer muito fino, elástico e de alta proteção contra gravidezes e doenças indesejadas.

São usados sobretudo pelos homens, é certo, mas as mulheres não ficam de lado neste assunto. Nem no uso, nem nas expetativas. Há preservativos de superfície com pontos e estrias em locais estratégicos fabricados especificamente para estimular zonas femininas em prol de relações sexuais com mais prazer.

«A evolução do consumo de preservativos tem sido suave mas positiva. É um método com uma elevadíssima fiabilidade e sem efeitos secundários, em comparação com outros métodos contracetivos», refere a Control.

O produto é delicado, a fórmula de produção está estabelecida, todavia há sempre coisas a fazer. As empresas estão atentas às necessidades dos consumidores e as novidades chegam ao mercado. Preservativos às cores, com estrias em espiral, com sabores a banana, morango, laranja, maçã. Preservativos com várias formas e formatos. A Control, por exemplo, criou o primeiro preservativo com aplicador – o «Easy Way» -, lançou o «Adapta» com forma ergonómica para uma adaptação perfeita ao pénis, e a sua mais recente inovação tem 264 pontos de prazer e chama-se «Xtra Sensation».

E em 2015, o mundo foi surpreendido com uma inovação de um grupo de adolescentes britânicos que venceu o TeenTech Awards desse ano.

Os miúdos criaram um preservativo que brilha quando deteta bactérias ou vírus associados a doenças sexualmente transmissíveis. Amarelo indica herpes, roxo é sinal de bactérias que provocam verrugas genitais, azul significa sífilis, verde é a cor para a clamídia.

O Dia Internacional do Preservativo, que se assinala a 13 de fevereiro, foi criado para alertar para a importância do seu uso, uma vez que é o único método que previne não só gravidezes indesejadas, mas também doenças transmitidas sexualmente. Agora que já sabe como se fabrica, não se esqueça de o usar.