OPINIÃO

Os seis carros mais românticos de sempre

Ao volante também se contam histórias de amor eterno.

Os carros das nossas vidas são aqueles que nos trazem memórias dos dias felizes, das viagens ou dos namoros. RUI PELEJÃO, editor do site www.motor24.pt e apresentador do programa GTI, da TVI24, selecionou seis histórias de amor eterno sobre rodas que marcaram as suas épocas e foram para as gerações dos nossos pais e avós aquele sítio onde trocaram os beijos e olhar o pôr do Sol de cabeça encostada ao ombro, ao som de Elvis, Beatles, Aznavour ou Nirvana.

Quando se fala em listas dos melhores carros para namorar (acontece mais ou menos uma vez por ano, por altura do 14 de fevereiro), muitos leitores pensarão em exaustivos testes utilitários, explicando as vantagens e os inconvenientes de cada modelo à luz dos ensinamentos Do Kama Sutra. Mas não é preciso consultar nenhum especialista do ramo automóvel ou um sexólogo para saber que os melhores carros para namorar têm apenas de reunir cinco condições essenciais:

. Espaço e bancos rebatíveis (de preferência à frente e atrás).

. Não ter uma consola central com travão de mão e alavanca de velocidades demasiado Intrusiva (infelizmente quase todos os carros modernos têm).

. Ar condicionado e desembaciador de vidros.

. Ligação USB ou conexão ao smartphone, para podermos pôr rolar aquela playlist para amachucar corações.

. Vidros escurecidos para melhorar a privacidade e teto panorâmico para ver as estrelas.

Assim, as nossas escolhas são:

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CHEVROLET BEL AIR

As grande banheiras americanas, com bancos da frente corridos, sem travão de mão pelo meio a interromper aconchegos e com uma capota elétrica para tirar, são um autêntico objeto cinematográfico. Para namorar num drive in, ou num miradouro sobre uma cidade, os grandes clássicos convertible americanos têm ainda hoje um magnetismo romântico a que é impossível ficar indiferente. Talvez o mais emblemático seja mesmo o Chevrolet Bel Air, ou melhor, os vários Chevrolet Bel Air, já que mais do que um modelo específico, Bel Air era a designação dada pela Chevy às suas versões topo de gama. Foram construídos entre 1949 e 1980 e transformaram-se em autênticos objetos de desejo, sendo hoje clássicos muito apreciados e valiosos, O Bel Air Convertible de 1957 é mesmo um dos mais bonitos carros americanos de sempre.

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FIAT 500

O pequeno Fiat 500 que motorizou a Itália do pós-guerra transformou-se, juntamente com a popular Vespa, num ícone da cultura popular daquele país. Nada mais romântico do que nos imaginarmos ao volante do Fiat 500 nas avenidas de Roma (ou mesmo na Avenida de Roma), nas estreitas ruas de Nápoles ou na cénica estrada da Costa Amalfitana.

Originalmente criado pelo génio de Dante Giacosa, em 1957, o Fiat 500 distinguia-se pela sua frugalidade mecânica e economia. Com um motor de 500 cc e 13 Cv de potência, instalado atrás, o Fiat 500 teve depois algumas variantes ao longo da sua vida útil (foi produzido até 1975), incluindo uma adorável carrinha, a Giardiniera. Em 2007, celebrando os cinquenta anos do modelo, a Fiat lançou a versão contemporânea, cuja clara inspiração no modelo original lhe valeu enorme sucesso, numa época em que o retro é tendência cosmopolita. Ainda assim, o incomparável charme e estilo do velhinho 500 é difícil de igualar.

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CITROËN 2 CV

Um dos carros mais populares do século XX – e um dos mais românticos também. Inspirador para um passeio pelo campo com um cesto de piquenique atrás ou para namorar à beira do Sena com a capota aberta para ver as estrelas ao som de Charles Aznavour, o Citroën 2 CV continua a ser a versão sobre rodas da chanson française. A ideia original de um pequeno carro para a vida rural foi de Pierre Boulanger, então presidente da Citroën, mas os planos e os primeiros protótipos foram escondidos dos alemães durante a ocupação nazi. Só em 1948, o «guarda-chuva sobre rodas», conforme foi batizado, seria apresentado em Paris. Rapidamente ajudou a motorizar a França do pós-guerra e foi produzido até 1990. As últimas unidades saíram da linha de montagem da fábrica da Citroën em Mangualde.

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VOLKSWAGEN KOMBI

Um ícone de uma era que ainda hoje desperta paixões e liberta a imaginação para longas viagens românticas pela costa alentejana ou por uma certa África Minha, ao som dos Doors ou de Janis Joplin. A Volkswagen Kombi, conhecida em Portugal com a alcunha de pão de forma, foi lançada em 1950 e fabricada em diversas encarnações até 2013. O projeto inicial foi desenhado pelo importador holandês da VW Ben Pon, que fez os esboços num caderno de um Kombinationsfahrzeug (Kombi), ou seja, um veículo combinado e multifunções que durante a década de 1960 e 70 foi o transporte preferido dos hippies para as excursões do «verão do amor», da Califórnia a Katmandu. A simplicidade mecânica, a robustez e a capacidade de ser adaptada a uma autêntica casa sobre rodas fizeram dela um dos modelos mais românticos da história do automóvel.

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RENAULT TWINGO

O tempo tem essa estranha de passar depressa e mal damos por ele. O Renault Twingo, por exemplo, comemora em setembro 25 anos. Parece que foi ontem que a marca francesa revolucionou o conceito dos citadinos e criou um modelo que durante mais de uma década foi matematicamente considerado o melhor carro para namorar, sempre que alguém se lembra de fazer uma lista do género. Porquê? Simples: os bancos traseiros e dianteiros rebatem, criando uma autêntica cama no pequeno mas espaçoso habitáculo. Se juntarmos a isso um teto de abrir para ver a lua ou uma noite estrelada, só fica mesmo a faltar uma cassete dos Nirvana a rolar e um saco cama, que na época era equipamento obrigatório para todos aqueles que foram felizes num Twingo. E foram muitos…

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MINI

Ao som dos Beatles e do yé-yé, o Mini é um dos mais carismáticos carros da história do automóvel. Pequeno mas espaçoso, robusto mas ágil, divertido de conduzir mas económico, o Mini marcou as década de 1960 e 70 em Inglaterra e no resto da Europa. A ideia inicial pertenceu ao engenheiro britânico Alec Issigonis, que desenvolveu um conceito revolucionário – tração dianteira e motor transversal – que permitiu libertar espaço no habitáculo para passageiros e bagagem, mantendo a silhueta de minicarro que criava desafios de contorcionismo – do tipo «quantas pessoas cabem num». Uma inteira geração andou de Mini, ouviu Beatles num Mini e, naturalmente, namorou num Mini. Construído entre 1959 e 2000, é um fenómeno da cultura popular que foi reavivado pelo Grupo BMW, que criou a Reencarnação contemporânea desta joia da indústria automóvel britânica.