OPINIÃO

Os novos trinta do Seat Ibiza

O Ibiza entrou na idade adulta. Já não é o carro dos vinte anos de todos nós, agora é o carro dos «trintinhas». Com jeito o novo Seat Ibiza ainda dá para os jovens de espírito. Como Rui Pelejão, editor do Site Motor24, que o experimentou.

Entrar na idade adulta nem sempre é fácil para um modelo que sempre se manteve jovem ao longo de mais de trinta anos de produção e quatro diferentes encarnações. Agora que é um trintinha, o Ibiza consegue não perder frescura, graças a um design que preserva a identidade, mas que lhe acrescenta uma certa maturidade e elegância. É como se tivesse os primeiros cabelos brancos e um alfaiate mais virtuoso.

A apresentação internacional da coqueluche da SEAT foi, como sempre, em Barcelona, e depois de um dia passado entre o trânsito da cidade condal e as estradas de montanha de Montserrat, podemos dizer que o Ibiza cresceu. Não em tamanho, mas em conteúdo e comportamento em estrada. Começo exatamente por aí, pela estrada, ou melhor, pela cidade.

A posição de condução é muito boa, com o corpo aconchegado nas curvas e o volante bem desenhado e com pele de qualidade a apetecer fazer festinhas.

O conforto de rolamento aumentou bastante, com a suspensão a poupar-nos aqueles solavancos a soar a plástico que normalmente os citadinos emitem. Este conforto e estabilidade mantêm-se em autoestrada e estrada de montanha, sem sacrificar aquele toquezinho apimentado que a condução do Ibiza sempre ofereceu aos paladares mais exigentes.

Continua divertido de conduzir, pelo menos nesta versão 1.0 a gasolina de 115 cavalos que me tocou na rifa, mas está muito mais confortável. O segredo está na nova plataforma da VW – a MQB «A0», que se estreia precisamente com o Ibiza, e que servirá de base a outros modelos do grupo como o VW Polo ou o Skoda Fabia.

Mais modular e versátil, a nova plataforma permitiu aos engenheiros da SEAT aumentar a distância entre eixos, o que, além de garantir maior estabilidade em estrada, permite criar mais espaço na bagageira e dar uns milímetros suplementares de espaço aos passageiros do banco de trás.

A posição de condução é muito boa, com o corpo aconchegado nas curvas e o volante bem desenhado e com pele de qualidade a apetecer fazer festinhas. Desapareceram plásticos (pelo menos à vista desarmada) e a solidez da montagem transmite aquela segurança de que o carro vai envelhecer bem.

Para valorizar o bestseller, a SEAT deu-lhe um bom dote tecnológico, com equipamentos que normalmente só se encontram em carros mais ricos (e caros) – este Ibiza terá preços a partir de 14 mil euros. Na verdade, os citadinos estão cada vez mais parecidos com os compactos familiares. O Ibiza é como um Leon mais pequeno em tamanho, mas igualmente rico em conteúdo.

Destaque para o excelente sistema de som, para a configuração dos modos de condução (Normal, Eco e Sport), os faróis LED ou o sistema de infoentretenimento com função Full Link que permite ligar todo o tipo de smartphones e espelhá-los no ecrã táctil e intuitivo do Ibiza.

A gama tem quatro motores a gasolina, com potências entre os 75 e os 150 cv e os TDI de entrada de gama para os antiquados que ainda preferem o diesel. Caixas manuais de 5 e 6 velocidades, ou DSG, dependendo da versão, e preços a partir dos 15 mil euros.

O que não vai haver é carrinha, porque estamos na era dos SUV, e a SEAT está mais apostada em criar um modelo para concorrer com o Renault Captur do que gastar cartuchos num carro com pouca procura.

Quanto ao Cupra, ainda é segredo, mas apostamos que este Ibiza com 300 cv debaixo do capot vai ser um Messi para estradinhas de montanha. Também apostamos que a apresentação será em Barcelona.

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