OPINIÃO

Obesidade: uma das epidemias do século XXI

Estima-se que, em 2025, mais de 50% da população seja obesa. Este sábado, dia 20, é o Dia Nacional de Luta contra a Obesidade e os números são cada vez mais alarmantes.

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de Shutterstock

«A obesidade mata. Estamos a criar uma geração de crianças que podem morrer antes dos pais». É assim que Carlos Oliveira, presidente da Associação de Doentes Obesos e ex Obesos (Adexo), põe o tema em cima da mesa. No dia em que se celebra o combate à obesidade, o presidente da Adexo alerta para o fato de ainda haver um desconhecimento generalizado em relação à doença.

Na Europa, uma em cada seis pessoas são obesas.

A obesidade é uma doença crónica que se desenvolve quando a ingestão calórica excede o consumo energético do corpo. Atualmente, morrem cerca de 1500 pessoas por ano, em Portugal, com problemas relacionados com obesidade. Em 2016, os números apontavam para cerca de 1,4 milhões de portugueses obesos e, pela primeira vez, as mulheres já ultrapassam os homens.

O cenário não é animador. O número de pessoas com obesidade mais do que duplicou desde 1980. Em 2014, mais de 1.9 mil milhões de adultos tinham excesso de peso (IMC> 25 kg/m2) e, deste número 600 milhões eram obesos. Na Europa, uma em cada seis pessoas sofrem desta doença.

As crises económicas dos últimos anos também devem ser tidas em conta nesta balança. A maioria dos estudos aponta para um corte nas frutas e nos legumes quando existe privação do poder de compra.

Este aumento significativo tem causas variadas: o aumento do sedentarismo e do stress, a diminuição do número de horas de sono, a alimentação, que piorou nas últimas décadas com as doses a aumentarem de tamanho (há 20 anos, um hambúrguer tinha 333 calorias e atualmente chega às 580), ou aumento dos casos de depressão.

As crises económicas dos últimos anos também devem ser tidas em conta. A maioria dos estudos aponta para um corte nas frutas e nos legumes quando existe privação do poder de compra. A verdade é que a introdução do fast food nas sociedades ocidentais teve um impacto profundo no estilo de vida da maioria das famílias.

A obesidade é uma doença que requer uma gestão a longo prazo e as consequências podem ser graves: diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS), e alguns tipos de cancro.

Em casos extremos, em que existe perigo de vida, a cirurgia é a única opção. O problema é que a falta de investimento do Estado no tratamento cirúrgico da obesidade obriga a que as listas de espera para operação possam chegar aos quatro anos. Em 2016, 4600 pessoas estavam à espera para serem operadas. «Muitas acabam por morrer à espera da cirurgia», lamenta Carlos Oliveira.

O presidente da Adexo afirma que «tem de haver uma aliança real com o poder político para obtermos resultados.» Ainda assim, Portugal é o único país da Europa com regulamentação para o tratamento da obesidade.

Obesidade Infantil

Portugal está entre os cinco países da Europa com mais crianças obesas, juntamente com a Grécia, Macedónia, Eslovénia e Croácia, segundo um estudo divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Apesar de ter diminuído a percentagem de obesidade infantil no país, nos últimos anos, os números continuam preocupantes, uma vez que um em cada dez rapazes de 11 anos é obeso. O sedentarismo e a diminuição da presença de frutas e legumes nas dietas dos mais novos são duas causas importantes que explicam o fenómeno.

Para Carlos Oliveira, a solução passa por alterar os padrões das cantinas. «Mas tem de ser por imposição e não por sugestão. Temos de impor esta mudança nas escolas, não podemos esperar que todas mudem sozinhas».

A educação dos pais também é fundamental porque «quando os pais comem mal claro que os filhos também vão adquirir maus hábitos». Em 2014, apenas 38% dos adolescentes europeus consumiam fruta todos os dias e apenas 36% dos adolescentes admitiam comer diariamente vegetais.