OPINIÃO

Os primeiros anos da Feira do Livro

Termina hoje a 87.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, no Parque Eduardo VII.História longa do evento mais esperado do ano para os amantes lisboetas de literatura.

Estávamos em 1930, Salazar era ministro das Finanças e o crash da bolsa Nova Iorque tinha acontecido no ano anterior. Em Lisboa, a Associação de Classe de Livreiros (hoje a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros) decidira organizar um evento em que seriam os livros os atores principais.

O local escolhido foi a Praça D. Pedro IV (mais conhecida como Praça do Rossio), um dos pontos centrais da capital. Os stands de livros alinhavam-se em torno da fonte em frente ao Teatro Nacional D. Maria II. O Diário de Notícias dava conta, em 1932, da inauguração com «grande sucesso» da 2.ª edição do certame.

O jornal salientava a variedade das publicações disponíveis, destacando «as preciosas edições de Os Lusíadas e obras de autores consagrados como Camilo, Eça, António Nobre e tantos outros». Para além da notícia sobre a feira, na mesma página podem ler-se algumas promoções como «Brindes valiosos que chegam a atingir 3 contos em livros, nas barracas 22 e 23».

A feira teve várias moradas, desde então. Em 1940, foi transferida para a Avenida da Liberdade (perto dos Restauradores), mas, em 1957, a festa regressou ao Rossio.
Em 1980, passou para o Parque Eduardo VII, onde se manteve até hoje (com uma única exceção, em 1996, quando aconteceu entre a Rua Augusta e o Terreiro do Paço). Durante quase nove décadas, a Feira do Livro realizou-se todos os anos, entre maio e junho, sobrevivendo à ditadura, às guerras que abalaram o país e a Europa, à revolução e às crises económicas. E tem vindo a crescer. Parece que, afinal, gostamos de ler.

FEIRA DO LIVRO DO PORTO
A Feira do Livro do Porto realiza-se também desde 1930. No entanto, teve um interregno de dois anos (2012 a 2014), acabando a Câmara Municipal da cidade por assumir as rédeas da organização.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.