OPINIÃO

Porque é que o iodo é tão importante?

O iodo está em certos alimentos e é o principal substrato para produzir hormonas tiroideias. Está no peixe, nos mariscos, no leite, no queijo, e claro, nas algas. A sua falta no organismo provoca estragos na saúde, desregula funções no peso e no funcionamento do intestino. E ir ou não ir à praia não faz diferença.

Texto de Sara Dias Oliveira

O nosso organismo não tem poderes para, por obra e graça do destino, produzir iodo. Não dá mesmo. O iodo entra no corpo através de determinados alimentos, a glândula tiroide, que fica na frente do pescoço e que tem um formato semelhante ao de uma borboleta, retira-o do sangue para, com ele, sintetizar hormonas indispensáveis à regulação de importantes funções do organismo. E estamos a falar de processos bastante sérios como a frequência cardíaca, a pressão arterial, a temperatura do corpo, o funcionamento do intestino, a regulação do humor e o controlo do peso. É muita coisa. Se o iodo falta no organismo, a tiroide ressente-se e a saúde piora.

«O iodo é um alimento essencial na nossa alimentação, é o principal substrato, o principal combustível, para a produção das hormonas da tiroide», afirma João Jácome de Castro, diretor clínico do Hospital das Forças Armadas e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia e Diabetes.

O iodo circula no sangue, chega à tiroide que o capta para a sua fábrica de produção de hormonas que regulam órgãos vitais para um bom funcionamento do corpo, ou seja, da máquina humana. «O iodo é um elemento essencial na estrutura química das hormonas da tiroide», sublinha o médico.

E onde está o iodo na alimentação? Sobretudo no peixe e no marisco e nas algas porque a maior parte do iodo vem do mar. E não é por acaso que o país com mais iodo é o Japão, que consome algas com fartura todos os dias e em várias refeições. O iodo está também nos produtos hortofrutícolas e laticínios – leite, queijo, iogurtes, manteiga – embora o seu teor possa variar nestes alimentos.

A falta de iodo no organismo mexe com a frequência cardíaca, a pressão arterial, a temperatura do corpo, o funcionamento do intestino, a regulação do humor e o controlo do peso.

O iodo é fundamental ao longo da vida, mas há estados e períodos em que faz muita diferença, na gravidez e no crescimento, quando há maior necessidade de iodo. Um estudo realizado veio demonstrar que as grávidas portuguesas tinham falta de iodo e alertou-se para um suplemento de iodo nesta fase da vida da mulher. Um outro estudo está agora a analisar os efeitos desse suplemento. «O iodo é sempre o constituinte essencial da tiroide.» E convém não esquecer que o hipotiroidismo é a primeira causa de deficiência mental.

«O iodo não pode ser formado no organismo, tem de ser ingerido na alimentação. A forma mais comum de fortificar o iodo é suplementar o sal com iodo.» O que não significa ingerir mais sal, mas sal com iodo ajuda.

E ir à praia também ajuda por ser uma zona rica em iodo? Nem por isso. Não há evidências científicas que o comprovem. Ir à praia não aumenta o iodo no corpo. As algas, ricas em iodo, estão nas praias, sim, há evaporação de iodo, é certo, mas isso «não é relevante do ponto de vista clínico», como adianta o vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia e Diabetes.

 

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