OPINIÃO

O estilo que um chapéu acrescenta

São o novo segredo do estilo contemporâneo. Os novos dandies e os hipsters trouxeram os chapéus outra vez para a moda. Mas será que sabem distinguir um Fedora de um Fedora Panamá?

Texto e produção de Sandra Dias
Fotografia de Gerardo Santos/Global Imagens

O mais conhecidos dos chapéus, Fedora – chapéu de abas médias e copa cónica com uma concavidade no centro, feito de feltro de caxemira, lã ou pelo de coelho – recebeu este nome em homenagem à peça Fedora, de 1882, do dramaturgo francês Victorien Sardou. Mas foi em 1889 que se tornou popular, quando a atriz Sarah Bernhardt o usou na interpretação de Princesa Fédora Romanoff, na peça, em Nova Iorque.

De adereço de peça de teatro o chapéu Fedora rapidamente passou a acessório de moda e a um dos símbolos do movimento dos direitos das mulheres. Apesar de ser um chapéu unissexo, este modelo apenas ganharia popularidade entre os homens no século XX quando o príncipe Eduardo de Gales começou a usá-lo. Até hoje, o chapéu Fedora não mudou muito, podendo contudo ter as abas mais ou menos estreitas e ser feito de feltro ou palhinha. É quando falamos de palhinha que surge o nome Panamá. Que para admiração de muitos, não é um modelo de chapéu mas sim um tipo de palha – Cartludovica palmata – existente no Equador. Ganhou esse nome quando o presidente dos Estados Unidos da América Theodore Roosevelt o usou durante uma visita ao canal do Panamá.

Os factos históricos revelam que o estilo de alguém carismático e popular acaba quase sempre por se tornar moda. Foi assim com a Fedora de Sarah Bernhardt, foi assim com o chapéu panamá de Theodore Roosevelt.

Os chapéus estão de volta à moda e a moda dá-lhes um novo estatuto e destaque, podemos dizer que os chapéus são as novas T-shirts com slogans. Poder ler uma reportagem sobre a produção de chapéus portugueses aqui.

Durante a semana de moda de Milão para a próxima estação fria, o desfile da Casa Missoni terminou com as modelos e alguns membros da família Missoni a preencherem a passerelle com pequenos gorros cor-de-rosa colocados nas suas cabeças, com o típico ziguezague da marca, a lembrar a marcha das mulheres em janeiro deste ano. Outras marcas de moda também apresentaram inúmeras propostas de chapéus nas suas coleções, realçando este acessório de moda que parecia ter caído em desuso mas que tem cada vez mais adeptos. Para já, os chapéus querem-se de palhinha sintética ou de panamá, porque nos protege do sol e garante muito estilo, não importa se são um eterno clássico ou o modelo mais trendy do momento! Porque a moda somos nós que a fazemos.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.