OPINIÃO

Não custa poupar

Sábado é dia de ir às compras. Talvez queira ler isto antes de começar a gastar.

Pedir faturas com NIF, não sair de casa sem uma lista, verificar talões de compras. Receitas para poupar no livro Ser Feliz Não é Caro, de Janine Medeira.

Desliga o forno antes de o assado estar pronto? Coloca um balde de baixo da torneira enquanto a água do duche não aquece? Não permite luzes acesas em divisões sem gente? Só lava a roupa com a máquina bem cheia? Usa as tampas nas panelas? Tira o pé do acelerador nas descidas? Estuda e compara preços? Anda sempre à cata de promoções? Então está no bom caminho.

«A poupança está na moda, veio para ficar, e, mais do que uma tendência, é uma realidade», garante Janine Medeira, especialista em poupança e autora do blogue Poupadinhos & Com Vales, no seu livro Ser Feliz Não é Caro, que acaba de chegar às bancas.

Poupar é uma tarefa diária, dá trabalho, mas pode contribuir para a sua felicidade se usar os euros que não gastou naquilo que realmente gosta. No poupar está o ganho, já se sabe, e poupar não significa passar privações.

Tem caneta, papel e máquina de calcular? Então, vamos lá. Quando vai ao supermercado, convém pôr isto na cabeça: nunca vá às compras com fome porque corre o risco de trazer tudo o que lhe parece delicioso; não pare para ver tudo, ande depressa e em direção às prateleiras onde está o que procura para evitar «armadilhas» e estratégias que os supermercados usam para vender o que querem vender; e resista ao olfato que é como quem diz ao marketing sensorial da comida cheirosa e dos pães acabadinhos de sair do forno. Não precisa, não ponha no carrinho.

Poupar no supermercado exige disciplina: cinco a dez minutos por dia para analisar folhetos, comparar preços, apontar datas das promoções, fazer uma lista, aprender a usar vales de descontos. Estabeleça prioridades e perceba que uma promoção não torna o produto prioritário porque promoções circulam todas as semanas.

«Procure sempre o melhor preço, há produtos que são praticamente iguais a outros, mas pagamos a marca e chegam a subir 50 por cento do preço ou mais.» Conselho de Janine Medeira.

E nunca se esqueça da lista, ela é a sua melhor amiga. Há, porém, regras a cumprir. A lista tem de ser feita em casa, a despensa deve estar bem arrumada e organizada para saber o que falta, deve escrever num papel e colocar apenas os bens essenciais. E aproveitar promoções.

«Só aconselho comprar a preço normal se gostar mesmo daquela marca e só daquela marca, ou se só se dá bem (por motivos de saúde, por exemplo) com determinada marca de algum artigo específico: caso contrário, atualmente, não compre nada, mas rigorosamente nada, que não tenha algum desconto». A regra é preocupar-se mais com o benefício do produto e menos com a marca. E, no final, conferir o talão.

A cozinha também é um mundo de poupança. Cozinhe certos alimentos em grandes quantidades e assim terá refeições prontas em dias mais atarefados. Não passe a louça por água se vai à máquina e utilize, por exemplo, guardanapos usados na refeição para essa limpeza. Rentabilize o uso do forno para um prato e, ao mesmo tempo, um bolo, bolachas, pão, queques.

É possível poupar em quase tudo. Com os filhos, aguarde por saldos, promoções, ou feiras do bebé, compre fraldas com antecedência, esqueça as grandes marcas, aceite coisas emprestadas, visite lojas de artigos em segunda mão – e se forem crescidinhos dê-lhes um mealheiro e sensibilize-os para a arte de pôr algum dinheirinho de lado.

Na estrada, tente não usar o ar condicionado ou acelerar mais do que o recomendado, e vá às bombas de gasolina com descontos, cupões, talões. «Hoje em dia já ninguém põe combustível a preço normal», avisa a autora do livro Ser Feliz Não é Caro. É preciso atenção aos seguros, fazer simulações, pesquisar bem antes de assinar, perceber se a empresa onde trabalha tem alguma parceria que dê acesso a descontos extra. Nas viagens de férias, procure alguns valores na Internet, contacte um operador e compare preços.

«Se antes só poupava quem tinha um rendimento familiar muito reduzido; perante a conjuntura atual, as pessoas têm consciência da importância que tem o dia de amanhã, e nota-se uma crescente preocupação em levar avante pequenos (ou grandes) comportamentos de poupança», refere Janine Medeira, que também dá aulas na Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo da Universidade do Algarve.

E, no fim de tudo, feitas as contas, pode ser feliz com o dinheiro que poupou. «Guarde, extravase, pague contas, viaje, compre roupa, faça um desvario e compre uma mala de marca, um casaco de pele, o que deseja. O dinheiro é seu, cumpriu o objetivo, não faltou para pagar contas e até sobrou para o que lhe apetecer. Aproveite, é essa a intenção». Mais uma dica da especialista em poupança que lança um livro que contém vales de desconto no valor aproximado de 200 euros.

 

Ser Feliz Não é Caro, de Janine Medeira
Ser Feliz Não é Caro, de Janine Medeira, A Esfera dos Livros