Não consegue emagrecer? Se calhar é por isto

Tirando uns poucos felizardos de metabolismo acelerado, toda a gente sabe que cada regalo na boca vai direto para as nádegas e depois a culpa se paga com dietas. É difícil reprimirmo-nos para emagrecer. Mais frustrante ainda do que a própria dieta, é o desespero de ver que esta não se traduz em diferenças assinaláveis após tantas horas de esforço. A boa notícia é que há uns quantos erros que todos cometemos e podem estar a boicotar a sua perda de peso. Conhecendo-os, pode dar cabo deles.

Texto de Ana Pago | Fotos da Shutterstock

A semana de penitência foi bem longa. Não comemos bolachas, chocolates, gelados ou pão. Nem uma única batata frita nos jantares de amigos. Não ficámos horas esquecidas no sofá. Não passámos ao lado das aulas de pilates. Com a mesma paixão com que nos disciplinámos diariamente para emagrecer, subimos para a balança e enfrentamos o veredito dos números, primeiro com fé e confiança, depois com rangeres de dentes e maldições. De que nos serviu tanta luta no ginásio, tantos ataques de nervos? Porquê as restrições se no fim não perdemos um grama para amostra? Como é isto possível, sofrer em vão?

Segundo diversos especialistas em nutrição e saúde, existem alguns erros que a maioria das pessoas comete frequentemente. Muitas nunca chegam a aperceber-se das armadilhas escondidas que lhes comprometem a perda de peso: podem comer bem, exercitar o corpo, até decidir que não será a balança a determinar a sua felicidade… e nada. Na dúvida, é capaz de ser melhor certificar-se de que nenhum destes motivos está a atrapalhar a sua contenda com os quilos.

O QUE PODE ESTAR A ACONTECER?

11. NÃO DORMIR O SUFICIENTE

A privação do sono torna o metabolismo mais lento, além de interferir diretamente com as hormonas grelina e leptina, ligadas ao apetite e ao equilíbrio energético: o aumento da grelina informa o cérebro de que é altura de comer (neste caso fora de horas), ao passo que o decréscimo de leptina dificulta a perceção de que podemos parar de comer porque estamos satisfeitos.

10. FAZER APENAS CARDIO…

 

… E evitar levantar pesos como o diabo foge da cruz. Sim, os exercícios cardiovasculares (corrida, pedalar, saltar à corda, agachamentos) ajudam a queimar massa gorda e a acelerar o metabolismo. Mas muitos estudos mostram que levantar pesos é uma estratégia ainda mais eficaz para ganhar músculo, perder gordura e melhorar a performance do corpo, pelo que não devem ser eliminados do treino.

9. ESCOLHER LIGHT E DIET

Por muito que queiramos convencer-nos do contrário, um gelado light não deixa de ser um gelado, tal como manteiga e batatas fritas não passam a ser alimentos saudáveis só porque o rótulo nos acena com promessas. Na verdade, a tentação de comer mais desses produtos diet aumenta, e com ela as quantidades de gorduras e açúcares ingeridos.

8. FOCAR-SE NA PERDA DE PESO…

… Em vez de na perda de gordura, quando ter 60 quilos de músculo é bem diferente de se ter 60 quilos de matéria gorda no corpo. O músculo é muito mais denso que a gordura, razão por que não se deve limitar a avaliar-se pelos números que a balança lhe mostra. Mais importante é perceber a real evolução da sua forma física, à medida que vai insistindo numa boa alimentação combinada com exercício.

7. NÃO BEBER ÁGUA SUFICIENTE

Esquecemo-nos de bebê-la por raramente pensarmos no bem que nos faz, ou no facto de sermos compostos por 70 por cento de água. Mas são só vantagens: lubrifica os tecidos corporais e a ajuda a eliminar toxinas; controla a temperatura do corpo e a humidade do ar que respiramos; contribui para a fluidez do sangue, maior absorção de vitaminas e minerais, hidratação das fibras alimentares e bom funcionamento do sistema digestivo. Garante ainda a produção de lágrimas (que protegem os olhos de infeções), o funcionamento dos rins, uma boa mastigação e o controlo da fome.

6. COMER DE MENOS

Planos restritivos como comer ananás o dia todo ou banir os hidratos de carbono, que não contemplam uma mudança de hábitos alimentares nem as características/necessidades de cada pessoa, fazem quase sempre com que o peso regresse em força quando termina a dieta. Além de ser impossível manter estes regimes a vida toda, perde-se peso perdendo massa muscular, quando o que interessa é transformar gordura em músculo.

5. IGNORAR CALORIAS ESCONDIDAS

Quantas vezes pedimos um sumo de frutas, carregado de açúcares, a achar que estamos a fazer uma escolha avisada? Ou nos decidimos por uma salada e a regamos com maionese? Ou comemos bife de peru grelhado a nadar em molho de mostarda e natas? Ou cereais açucarados ao pequeno-almoço? São tudo calorias extra que se vão acumulando e podem comprometer a dieta.

4. CONSUMIR POUCA PROTEÍNA

É um macronutriente construtor e reparador, sem o qual corremos sérios riscos de afetar órgãos, tecidos e massa muscular (nomeadamente em situações de perda de peso). São muitos os estudos que relacionam o consumo de proteínas com a redução de gordura, o ganho de músculo e a manutenção do peso ideal. Embora, como em tudo na vida, convenha comer com moderação.

3. EXAGERAR NAS GORDURAS SAUDÁVEIS

Fontes de gordura saudável como o azeite, frutos secos, abacate, peixes gordos, manteiga de amendoim e tantas outras devem integrar qualquer dieta equilibrada com vista à perda de peso. Ainda assim, convém lembrar que falamos de alimentos muito calóricos, a comer sem exageros.

2. STRESSAR

Ao contrário da água, que tem tudo de bom, stress em demasia tem tudo de mau: aumenta a produção de cortisol, uma hormona que estimula o apetite, a retenção de líquidos no corpo e os desejos de açúcares, ricos em serotonina (o neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar e felicidade), porém hipercalóricos. Como se não bastasse, ajuda a desacelerar o metabolismo e contribui para a acumulação de gordura abdominal.

1. NUNCA COZINHAR

Por muito light que lhe pareçam as refeições no restaurante, é impossível saber o que utilizam para confecionar os alimentos, melhorar-lhes o aspeto ou dar-lhes sabor. Também as refeições prontas a aquecer no micro-ondas, ultraprocessadas, perdem o seu valor nutritivo a favor do excesso de açúcar, sal, gorduras e outras substâncias químicas associadas a problemas de saúde como a diabetes e a obesidade.

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