OPINIÃO

Quando a Caparica se tornou destino de veraneio dos lisboetas

No final da década de 1970 e início da de 1980, a Costa de Caparica afirmou-se em definitivo como o lugar onde Lisboa ia a banhos. Ergueu-se o betão em cima das dunas, normalizaram-se filas na ponte e nos cacilheiros, as praias que antes eram só de pescadores passaram a ser invadidas por banhistas. Memória dos ícones do passado.

Texto Ricardo J. Rodrigues

 

Ao chegar à Caparica vindo da Ponte 25 de Abril, das três uma: ou se segue em frente para o centro da cidade, ou se vira à direita em direção às praias de São João, ou se opta
pela esquerda rumo à Fonte da Telha.

Há 35 anos, quando a maior parte destas fotografias foi tirada, os caminhos eram mais ou menos os mesmos, mas as nomenclaturas diferentes. Ia-se, respetivamente, em direção à Bola Nívea, ao CCL (Clube de Campismo de Lisboa) ou à Torre das Argolas. Eram ícones incontornáveis e toda a gente os conhecia. Muitos resistem ao tempo, a maioria foi desaparecendo.

O grande eixo da povoação, nesses anos ainda vila, era a Rua dos Pescadores. Pedonal, passagem e paragem de toda a massa humana. Começava no mercado, à frente do qual se fazia fila a primeira hamburgueria do país (o Sandwich Bar, aberto há 43 anos).

As geladarias no eixo enchiam-se ao fim da tarde, mas os miúdos tentavam fugir para a casa de máquinas de jogos, há muito extinta. Ao fundo, as praias onde se juntavam barcos e banhistas – que ao fim da tarde compravam peixe fresco aos pescadores que o traziam do mar. Adiante o restaurante Barbas (hoje remodelado e numa localização diferente), do outro lado a Bola Nívea. E mar até perder de vista.

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