OPINIÃO

Máscaras rápidas, giras e baratas

Tem aqui tudo de que precisa para um carnaval original.

Fala-se no Carnaval e pensamos em meninas seminuas a sambar ao frio e a sonhar com o verão brasileiro. A dança é frenética. As fantasias requintadas. A dado ponto quase parece que os únicos disfarces possíveis envolvem lantejoulas e plumas quando, na verdade, podemos usar materiais simples que temos em casa para criar máscaras originais para a família inteira (incluindo aquela roupa confortável de todos os dias que possa andar perdida nos armários).

É um facto: não temos por cá um Sambódromo como o do Rio de Janeiro. Nem sequer um calor de ananases (se não chover nos próximos dias já estamos cheios de sorte). Mas ideias giras, rápidas e baratas é coisa que não nos falta, muito para além das princesas e super-heróis. Espreite e inspire-se.

Contam os historiadores que as origens do Carnaval, sempre acompanhadas de cantos, danças e muita música, remontam às festas pagãs que se realizavam por altura da primavera em honra das divindades egípcias Ísis e Ápis (a personificação da terra), do grego Baco e das Saturnais, Lupercálias e Matronálias romanas (respetivamente dedicadas a Saturno, à fecundidade dos homens, animais e campos, e ao poder de Juno e das mulheres). Há quem defenda mesmo que o Carnaval terá tido as suas primeiras manifestações cerca de dez mil anos antes de Cristo, quando as gentes das aldeias saíam em grupo com os rostos e corpos pintados para afastarem os demónios das más colheitas.

Certo é que o Cristianismo acabou por fazer do Entrudo uma celebração fortemente ligada à abstinência imposta pela Quaresma, o que sustenta a ideia de que o termo Carnaval possa ter surgido das palavras carne levare (no dialeto milanês significa o «adeus à carne» que alude ao início da Quaresma) ou da expressão latina carrum navalis, o carro naval com que os romanos abriam seus festejos. A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira dá ainda conta de formas muito particulares de se saudar o Carnaval antigamente, com as brincadeiras a variarem de aldeia para aldeia, mas sempre turbulentas:

«Pelas ruas generalizava-se uma verdadeira luta em que as armas eram os ovos de gema, ou suas cascas contendo farinha ou gesso, cartuchos de pós de goma, cabaças de cera com água de cheiro, tremoços, tubos de vidro ou de cartão para soprar com violência, milho e feijão que se despejava aos alqueires sobre as cabeças dos transeuntes.»

Havia igualmente luvas cheias de areia destinadas a cair nos chapéus de quem passava e jogos com laranjas, tangerinas, pastéis de nata e outros bolos.

«Em vários bairros atiravam-se à rua, ou de janela para janela, púcaros e tachos de barro e alguidares já em desuso, como depois se faz também no último dia do ano no intuito de acabar com tudo o que de velho houver em casa. Usaram-se ainda nos velhos entrudos portugueses a vassourada e as bordoadas com colheres de pau.»

Caso para dizer que é Carnaval, ninguém leva a mal…