OPINIÃO

Junior Achievement: o futuro começa aqui

Depois de um ano (letivo) de preparação, depois de muitas sessões de aperfeiçoamento, depois de mais de oitocentos alunos terem ficado pelo caminho, uma equipa de três estudantes representa esta semana Portugal na final europeia do Junior Achievement, uma competição internacional que tenta formar jovens empreendedores para negócios de sucesso. Em Bruxelas, Leandro, Natacha e Dinis, de 16 e 17 anos, poderão ser considerados a melhor miniempresa europeia do ano.

Texto de Ana Patrícia Cardoso

Palmas, gritos e abraços quando é anunciado o primeiro lugar. A Beauto, da Escola Secundária Martins Sarmento, em Guimarães, foi considerada a melhor miniempresa portuguesa do ano e vai representar Portugal na final da Júnior Achievement Europe, em Bruxelas. Leandro Macedo, 16 anos, Natacha Macedo, 17, e Dinis Pereira, 16, desenvolveram uma caixa de armazenamento de medicamentos com um alarme programável e um sinal sonoro. «Ainda não acreditamos que isto aconteceu», diz Natacha. «Agora é trabalhar ainda mais para representar Portugal da melhor maneira.»

Com a ajuda de Sónia Torrinha e Teresa Abreu, professoras de Sistemas de Informação
e de Projeto e Produção Multimédia e Design, Comunicação e Audiovisuais, os três jovens deram aqui o primeiro passo para o seu futuro profissional. «O objetivo sempre foi colocar a nossa caixa no mercado, acreditamos que temos um produto superior», diz Natacha. O dispositivo alerta o utilizador para o horário do medicamento e avisa caso a toma não seja feita.

Esta é a décima edição da competição nacional do programa A Empresa. O desafio não é pequeno e sente-se no ar a vontade de vencer. Chegaram até aqui 120 estudantes, entre os 15 e 21 anos, alunos do ensino secundário.

Este foi o culminar vitorioso de um dia longo e de um ano de muito trabalho. No auditório do Museu da Fundação Oriente, no início de junho, as cadeiras estavam ocupadas com ideias para futuras empresas em mercados muito diferentes. Cartazes de apoio e grupos vestidos com T-shirts iguais. Vieram os professores, os familiares, colegas de turma e amigos para apoiar cada projeto.

Esta é a décima edição da competição nacional do programa A Empresa. O desafio não é pequeno e sente-se no ar a vontade de vencer. Chegaram até aqui 120 estudantes, entre os 15 e 21 anos, alunos do ensino secundário. De certa forma, está aqui representado todo o país, através de 17 localidades: Braga, Guimarães, Lamego, Porto, Gaia, Viseu, Entroncamento, Peniche, Torres Vedras, Santarém, Lisboa, Almada, Setúbal, Cascais, Portalegre, Loulé e Faro.

Os jovens ocupam os corredores, ensaiam vezes sem conta o texto de apresentação. Não pode falhar nenhum pormenor, há um júri exigente para impressionar. São dez jurados de empresas e instituições de renome (Citi, Banco CTT, ING, Global Media Group, Douro Azul, Vieira de Almeida & Associados, CEiiA, Herdade Maria da Guarda, MetLife e Embaixada dos Estados Unidos) que não só analisam as apresentações gerais de todas as equipas, da parte da manhã, como também têm a oportunidade de fazer todas as perguntas difíceis em sessões individuais de dez minutos com cada uma, à tarde.

Entre as equipas deste ano houve de tudo um pouco. Desde soluções para a cozinha (Bip Cook, de uma escola de Lisboa), apps para os estudos (Leaders of Tomorrow, de Carcavelos), copos reutilizáveis (Easy Cup, também de Carcavelos) ou gelatina para comer quando se sai à noite (Alien Drinks, do Entroncamento).

Este é o dia para o qual trabalharam durante muitos meses e é um projeto que não está incluído no programa curricular das escolas. Ou seja, dedicaram tempo extra, sacrificaram horas de estudo ou tempos livres, fins de semana e atividades para lutar pelo lugar em Bruxelas.

Tudo começou com uma ideia. Os alunos interessados em participar formaram equipas e tentaram desenvolver um conceito inovador. Tinha de ser algo que não esteja à venda ou que fosse uma versão melhorada do que já possa existir. Com o produto escolhido, foi necessário estudar o mercado e, sobretudo, desenvolver um plano de negócios que também é tido em conta na avaliação. As escolas tiveram um papel de apoio e incentivo determinantes neste processo.

Amanda Chohfi, professora de Business Studies e Economics no Colégio Luso-Internacional de Braga, já participa na competição há cinco anos (inclusive já acompanhou uma equipa vencedora à Bélgica, em 2013) e sabe o que envolve todo este esforço. «Às vezes os alunos focam-se muito nos prémios, querem ganhar, claro, mas o mais importante é esta experiência incrível, sem dúvida. É um projeto que não é igual a uma sala de aula. São eles que decidem estratégias, pesquisas, leituras. Eles sentem-se capazes e desenvolvem muitas competências importantes para o mercado. «Às vezes ainda fico surpreendida com as ideias incríveis que os alunos desenvolvem.»

Entre as equipas deste ano houve de tudo um pouco. Desde soluções para a cozinha (Bip Cook, de uma escola de Lisboa), apps para os estudos (Leaders of Tomorrow, de Carcavelos), copos reutilizáveis (Easy Cup, também de Carcavelos) ou gelatina para comer quando se sai à noite (Alien Drinks, do Entroncamento). Entre as mais equipas com apresentações mais entusiastas está a Miss Fixit, do Colégio Luso-Internacional de Braga.

Rita Coimbra, uma das representantes, revela que a ideia que desenvolveram teve um forte cariz feminista. «Quisemos entrar num mercado destinado aos homens e criar oportunidades de trabalho para nós.» No site da Miss Fixit, mulheres desempregadas podem inscrever-se para aprender a desempenhar funções nas áreas de canalização, pintura, eletricidade. Assim que completam o treino, estão aptas para angariar trabalhos. «Abrimos um novo caminho e damos a hipótese para elas começarem de novo.» Todas as participantes da equipa estão com cintos de ferramentas. Cada pormenor pode fazer a diferença.

Outros projetos surgem no balneário. É o caso da HSports, que desenvolveu uma garrafa com duas palhinhas. António Ferreira, membro da equipa do Agrupamento de Escolas Rodrigo de Freitas, do Porto, conta que o negócio surgiu da tentativa para resolver um problema. «Notámos que muitas vezes as pessoas partilhavam a mesma garrafa. Com a nossa ideia, já o podem fazem de forma mais higiénica.»

Para chegarem à final portuguesa, no Museu da Fundação Oriente, todas estas ideias passaram por etapas de seleção, ao longo de sete Feiras Ilimitadas, realizadas ao longo de meses em Lisboa, Coimbra, Vila Real, Porto, Cascais, Évora e Faro. Foi aí que as equipas tiveram a oportunidade para apresentar as suas ideias ao público. «Estas 24 miniempresas são as melhores dos melhores», diz João Pedro Tavares, presidente da Junior Achievement Portugal. «Temos aqui jovens com um futuro muito promissor. Nota-se que querem chegar longe.»

A Beauto está a poucos dias da final e, com a determinação de quem tenta não se deixar intimidar pela dimensão do evento (são mais de trinta equipas de toda a Europa), garante: «Vamos para tentar ganhar.»

O QUE É O JUNIOR ACHIEVEMENT
Trata-se de uma organização sem fins lucrativos que trabalha com jovens do ensino secundário e universitário, promovendo o empreendedorismo e as competências para o mercado de trabalho. A primeira competição europeia ocorreu em 1989 e, desde então, a iniciativa já chegou a 41 países e contou com cerca de 3,5 milhões de alunos. Chegou a Portugal em 2007 e já envolveu 37 mil alunos.

COMO PARTICIPAR
Todos os anos, em setembro, a Junior Achievement envia um convite geral para todas as escolas públicas (e privadas que já tenham participado na competição A Empresa), com o objetivo de informar que as vagas para a competição estão abertas. As escolas interessadas devem responder ao formulário que consta do e-mail e reenviar. Podem participar alunos do ensino secundário, entre os 15 e os 21 anos. Informações em www.japortugal.org.

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