OPINIÃO

Conheça os alimentos que lhe dão mais anos de vida

São anti-inflamatórios, antioxidantes, estacam a proliferação de células, desencadeiam ações químicas que resultam em proteção metabólica. Um estudo publicado numa das revistas internacionais mais respeitadas da área da nutrição destaca alimentos capazes de fintar doenças e diminuir o risco de mortalidade. Pedro Moreira, diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, fala desta investigação.

Texto de Sara Dias Oliveira | Fotografia de Shutterstock

Peixe, frutos gordos, cereais integrais, leguminosas, produtos hortofrutícolas, estão na lista dos alimentos que fazem bem à saúde. Protegem o corpo e podem dar mais anos de vida. São anti-inflamatórios, antioxidantes, estacam a proliferação de células, graças a nutrimentos ou compostos bioativos, e podem travar o desenvolvimento de doenças crónicas e de fatores de risco que complicam a saúde.

Um estudo publicado em junho no American Journal of Clinical Nutrition, uma das revistas mais prestigiadas da Sociedade Americana de Nutrição, e do mundo científico, fala destes alimentos. Pedro Moreira, diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, leu essa investigação e pormenoriza alguns elementos desse grupo de alimentos que podem levar a uma mudança considerável no risco de morte.

No estudo de coordenado por Schwingshackl, do Instituto Alemão de Nutrição Humana, lê-se que a mortalidade decresceu em cerca de 25% com a ingestão de cereais integrais.

Os cereais integrais como o pão, couscous ou arroz, em contraste com os cereais muito refinados, contêm o germe e os farelos do grão, com o correspondente aumento de fibras, vitaminas, minerais, fitoquímicos e outros componentes bioativos. «Muitos consumidores têm receio que o consumo de pão engorde, e podem restringir o seu consumo. Mas na sua versão integral e teor de sal controlado, o pão pode ser uma excelente via para aumentar o consumo de cereais integrais», refere Pedro Moreira.

No estudo de coordenado por Schwingshackl, do Instituto Alemão de Nutrição Humana, lê-se que a mortalidade decresceu em cerca de 25% com a ingestão de cereais integrais até 100 gramas por dia. O risco de mortalidade pode diminuir 10% se houver vontade de comer até 200 gramas por dia de peixe. Dar ao corpo até 300 gramas de fruta todos os dias também significa diminuir a mortalidade em cerca de 10%.

Cento e cinquenta gramas por dia de leguminosas descem o risco de mortalidade em cerca de 16% e 300 gramas diárias de produtos hortícolas faz decrescer a mortalidade em 11%.

Há mais novidades neste campo. «No trabalho de Schwingshackl e colaboradores, o risco de mortalidade baixou cerca de 17% com o aumento da ingestão de frutos gordos até cerca de 15-20 gramas dia», sublinha Pedro Moreira. Cento e cinquenta gramas por dia de leguminosas descem o risco de mortalidade em cerca de 16% e 300 gramas diárias de produtos hortícolas faz decrescer a mortalidade em 11%.

«Como as doenças não transmissíveis têm múltiplas causas, por excessos e deficiências de certos alimentos, acumulados ao longo de décadas, tem-se assistido a uma mudança na investigação, de uma abordagem reducionista em que se focavam apenas os nutrientes, para passar a considerar o alimento, os grupos de alimentos e, mais recentemente, o conjunto de toda a alimentação», sublinha Pedro Moreira, diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto.

Com esta relação entre os grupos de alimentos e o risco de mortalidade, segundo Pedro Moreira, «não se pretende argumentar que o seu consumo per se seja a causa de mortalidade, mas que o consumo poderá refletir a existência de mecanismos associados à etiologia de doenças crónicas, ou estados pré-clínicos de doença, ou mesmo a certos fatores de risco.»

Quando se fazem recomendações de alimentação saudável, sobre o que devemos comer, o objetivo é traduzir a melhor evidência científica disponível.

E quando se fazem recomendações de alimentação saudável, sobre o que devemos comer, o objetivo é traduzir a melhor evidência científica disponível para formular orientações de alimentação a seguir.

«Do ponto de vista científico, este processo é extremamente complexo, pela dificuldade em alinhar a informação epidemiológica ‘avulsa’ sobre o papel dos diferentes constituintes (onde se incluem os nutrimentos), de cada alimento, e da ingestão desse alimento num determinado padrão alimentar», refere o diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto.

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