OPINIÃO

Escritora do dia: Luísa Castel-Branco

Luísa Castel-Branco é a escritora que responde ao Questionário Proust neste domingo, dia 18. Luísa, que não consegue ler livros quando está a escrever, não tem ninguém com quem gostaria de tirar uma selfie.

O que é que está a ler?
Nada. Quando começo um novo livro por muito que tente não consigo fixar-me na leitura. É tempo de escrever e quando terminar voltarei à leitura.

O que é que está a escrever?
Ui! Grande segredo! Mas posso dizer que é um projeto diferente e que vivia dentro de mim há muito tempo!

Quem é o seu escritor preferido?
Se falamos de portugueses, Agustina e Lobo Antunes. Mas é sempre difícil reduzir o número de pessoas que escreveram algo que nos marcou.

Quem é o seu herói da ficção?
As mulheres dos livros, da Allende. Sem dúvida.

Qual é o seu palavrão preferido?
Mãe!

Que palavra nunca usa?
Um sinónimo de falta de sorte que detesto! Tem uma carga tão negativa que me amedronta!

Quem é a pessoa que mais admira?
Não consigo responder. A sério. Do ponto de vista pessoal teria dificuldade em reduzir a uma só.

Que talento gostaria de ter?
Paciência. Bom senso. E vou parar por aqui!

Qual é o seu maior feito?
A maternidade. E ter conseguido criar três seres humanos maravilhosos.

Se pudesse escolher, em que país teria nascido?
Portugal. Continuo a acreditar que somos quem tem mais para dar e desvendar.

Qual é a sua ideia de felicidade?
Um dia com os meus netos. Se os filhos puderem estar, ótimo, senão não faz mal!!!

Qual é o seu maior medo?
Ficar dependente de terceiros. Um AVC aos 49 anos faz-nos olhar a vida de outra forma.

Qual é o seu lugar preferido do mundo?
O campo. Não importa onde mas preciso da terra como os outros precisam do mar!

Que qualidade mais aprecia numa pessoa?
A honestidade. Cada vez mais vivemos de costas voltadas uns para os outros e raramente se diz a verdade.

Se pudesse reencarnar, gostaria de voltar em que pele?
Ai Jesus! Não sei…nem quero pensar nisso!

Que livro ofereceria a Marcelo Rebelo de Sousa (para ele ler mesmo)?
O meu primeiro romance, Alma e os Mistérios da Vida. Não é falta de modéstia, é apenas para lhe permitir evadir-se da realidade.

Se desse de caras com Donald Trump, o que faria?
Mudava de passeio ou sala ou seja lá o que fosse. E depois respirava fundo e pensava nos milhões de americanos que votaram nele. Não que isso alterasse a vontade de me ver longe dele, mas faz-me pensar como os tempos estão estranhos e como o mundo que eu vou deixar aos meus netos é um local muito perigoso.

Com quem é que gostaria de tirar uma selfie?
Deve ser da geração mas ninguém!

Qual é o seu lema de vida?
«Somos da nossa infância como quem é de um país». Saint-Exupéry. É esta a maior lição de vida que recebi e que passei.

Qual o final mais marcante que já leu?
A Leste do Paraiso, de Steinbeck. O livro da minha vida!