OPINIÃO

Escritora do dia: Isabel Stilwell

Esta sexta-feira é a vez de Isabel Stilwell responder ao Questionário Proust. A jornalista e escritora que adorava saber desenhar e só tirava selfies com o Dr. House. Isabel vai estar amanhã, dia 17, na Feira do Livro, às 16h30 no stand da Presença.

O que é que está a ler?
Vitória, da Luísa Beltrão, de que estou a gostar muito, H for Hawk, da Helen Macdonald, que é surpreendente e, aos bocadinhos, como se fosse um quadrado de chocolate de cada vez, a Bíblia (Volume 1) de Frederico Lourenço. ​

O que é que está a escrever?
Um livro infantil sobre falcões, que acontece no tempo de D. Manuel I, a pedido da câmara de Salvaterra de Magos, onde se situa a Falcoaria Real (que vale a pena visitar). A Falcoaria Portuguesa foi considerada património Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. ​E, claro, a ganhar balanço para o próximo romance histórico…

Quem é o seu escritor preferido?
Não tenho um, a sério que não tenho. Depende dos dias e das horas. Mas entre os favoritos está o Tolkien, a J.K.Rowling, e a Hillary Mantel, que tem uma escrita extraordinária. Recentemente descobri a Elisabeth Strout. E não passo sem o Oscar Wild. ​

Quem é o seu herói da ficção?
O Winnie-the-Pooh. Identifico-me tanto com ele quando vem a descer as escadas aos trambolhões pela mão do Christopher Robin e a dizer que tem a certeza que conseguia ter uma ideia brilhante se sossegasse por um bocadinho. ​

Qual é o seu palavrão preferido?
De há uns tempos para cá uso «A Palavra». Explico: as minhas netas mais velhas vieram da escola a mimarem-se uma à outra com uma variante mais curta de «filha da mãe». A Ana proibiu-as de usar semelhante termo, e elas, a partir dai, insultam-se dizendo apenas «És a Palavra». Adotei.

Que palavra nunca usa?
«Algo», como no «apetece-me algo», e «desfrutar», faz-me arrepios, toda a gente agora desfruta tudo, da banana ao namorado.

Quem é a pessoa que mais admira?
Ui isto está a ficar «mushi-mushi» (peganhento!). A verdade é que só admiro pessoas de carne e osso que me são próximas, por isso o prémio vai para o meu marido. Está dito.

Que talento gostaria de ter?
Adorava saber desenhar. Admiro imenso as pessoas que só com um lápis conseguem retirar o mundo, o que está cá fora e o que está dentro delas. ​

Qual é o seu maior feito?
Ser mãe de três filhos. Quando às vezes vejo mães no supermercado com três crianças, pergunto-me «Como é que se sobrevive». Mas sobrevive-se, e como escrevia Catarina Pires, na Notícias Magazine, «a maternidade é uma prisão de que não nos queremos nunca libertar».​

Se pudesse escolher, em que país teria nascido?
Em Portugal, sem dúvida nenhuma. Se acreditasse na reencarnação, queria voltar a nascer aqui.​

Qual é a sua ideia de felicidade?
O que não me faltam são ideias de felicidade. Por exemplo, regar os meus netos com uma mangueira, e vê-los atravessar o jato de água que brilha ao sol, numa excitação feita de medo e alegria. Espero que a memória fique com eles para sempre. ​

Qual é o seu maior medo?
De perder as pessoas que amo. À medida que envelhecemos percebemos que a vida pode mudar de uma fração de segundo para a outra e isso assusta tanto que até escrevê-lo faz tremer.​

Qual é o seu lugar preferido do mundo?
A cama, com muitas almofadas. ​

Que qualidade mais aprecia numa pessoa?
Integridade, inteligência e sentido de humor. ​Eu sei que são três, mas se tivesse só uma delas, não chegava.

Se pudesse reencarnar, gostaria de voltar em que pele?
Na minha, sinceramente. Com todas as falhas, com todas as feridas, e as múltiplas limitações, mas só sendo eu consigo imaginar-me a ser tão feliz como sou. Além de que já sei o que a casa gasta.​

Que livro ofereceria a Marcelo Rebelo de Sousa (para ele ler mesmo)?
Ofereci-lhe Isabel de Aragão – Entre o Céu e o Inferno, e ele disse que estava «devotamente» a lê-lo, o que talvez não seja verdade, mas também nunca desisti de acreditar no Pai Natal. Mas, claro, para ter a certeza absoluta de que lia, só mesmo se fosse uma enciclopédia médica. ​

Se desse de caras com Donald Trump, o que faria?
Não tinha que fazer nada, porque ele estaria demasiado ocupado a mandar mensagens no Twitter. ​

Com quem é que gostaria de tirar uma selfie?
Vou ficando viciada em muitas séries, mas uma selfie só com o Dr. House (Hugh Laurie).

Qual é o seu lema de vida?
Se tiver solução, não é um problema. Até já pensei em fazer uma T-shirt.​

Qual o final mais marcante que já leu?
O Rapaz do Pijama às Riscas, do John Boyne.