OPINIÃO

Era uma vez um rei com coração de leão

Chamava-se Ricardo, foi rei e nunca mais se livrou do epíteto felino cardiovascular. Nasceu em 1157, morreu em 1199 e dez anos antes de bater a real bota foi coroado na abadia de Westminster, Inglaterra. A cerimónia aconteceu num de 3 de setembro há 828 anos e esta é uma altura tão boa como outra qualquer para recordar a vida do guerreiro.

Texto de Ricardo Santos

Aos 16 anos já chefiava um exército contra o próprio pai e foi figura central nas cruzadas contra os muçulmanos. Viveu parte da infância e adolescência no sudoeste de França e como rei de Inglaterra terá passado apenas cerca de seis meses no país que reinava.

Dizem os livros que gostava de pouco de estar quieto. Menos de um ano depois da coroação já estava a caminho da Sicília, seguindo-se Chipre, acabando por conquistar esta ilha e garantir uma posição estratégica no Mediterrâneo. Depois, tentou a sua sorte no que é hoje Israel e procurou também entrar no Egito, mas sem sucesso.

Tinha que voltar a casa, já que os seus irmãos (como ficou bem romanceado em Robin dos Bosques) estavam a aproveitar-se da sua ausência para fazer estragos. Começou a fazê-lo em 1192, passou por Corfu, mascarou-se de cavaleiro templário para entrar na Europa e acabou detido nos arredores de Viena, Áustria, pelas tropas do Duque Leopoldo. Permaneceu prisioneiro até 1194, quando foi pago um resgate de 80 mil libras em prata.

Ainda teve tempo para conquistar a Normandia antes de, em março de 1199, ser alvejado com uma flecha no pescoço por um homem a quem tinha morto o pai e os irmãos. A ferida passou a gangrena e morreu em abril desse ano nos braços da mãe. O seu coração está enterrado na cidade francesa de Rouen.

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