OPINIÃO

Como sobreviver a um agueiro

Quatro pessoas morreram ontem nas praias portuguesas. Oitenta por cento dos afogamentos acontecem por causa de agueiros. Saiba como sobreviver a um.

Texto de Ricardo J. Rodrigues

O mar também mata e ontem morreram quatro pessoas nas praias nacionais. Os agueiros, que representam a causa de 80 por cento dos afogamentos que acontecem na costa portuguesa, são imprevisíveis e incontroláveis, mas há algumas medidas que pode tomar se se vir apanhado no meio de uma corrente.

Simplificando: os agueiros são correntes que se formam perpendicularmente à linha de areia, geradas pela ondulação ou pelas linhas de profundidade oceânica. Em muitos casos, o banhista só se apercebe que está a ser arrastado para águas profundas quando perde o pé e tem dificuldades em regressar à areia.

«Existem três tipos de agueiros», diz Olga Marques, chefe do Serviço de Assistência a Banhistas do Instituto de Socorros a Náufragos. «Os permanentes, os móveis e os súbitos. Isso faz com que seja impossível determinar a sua localização ou frequência.» É um perigo inconstante e fortuito.

Nem sempre é fácil identificar um agueiro, mas há sinais que podem denunciar uma corrente perigosa. «Normalmente a zona onde corre o agueiro tem uma cor mais acastanhada. A água é mais profunda e escura». Pode também haver espuma à superfície que se estende até à rebentação. Numa zona de agueiro, há menos ondas a quebrar.

Caso se veja apanhado por uma destas correntes, há algumas regras que podem melhorar as suas hipóteses de sobrevivência. «A primeira é não entrar em pânico», diz Olga Marques. «Depois é não tentar nadar contra a corrente. Deve tentar nadar paralelamente à costa, afastando-se lateralmente até deixar de sentir a força da corrente, para conseguir voltar a terra.»