Como gerir o seu tempo (e o dos seus filhos) no regresso às aulas

Se 48 horas mal chegariam para o tanto que temos de fazer todos os dias, 24 quase nos dão vontade de rir. A boa notícia é que é possível gerir bem o seu tempo e o dos seus filhos, neste regresso às aulas, com meia dúzia de táticas simples que lhe deixamos já de seguida. Depois disso só tem de perceber a melhor maneira de encaixá-las na dinâmica familiar e aplicá-las com disciplina.

Texto Ana Pago | Fotografias Shutterstock

8. DEFINA PRIORIDADES

 

O segredo é saber que tempo e energia investir em cada área consoante as metas que se propõe atingir, com consciência, dizendo «sim» e «não» às solicitações para conseguir o justo equilíbrio entre trabalho, família, descanso, lazer, exercício e tudo o mais que fizer parte da sua vida. «Não somos super-heróis com superpoderes: somos humanos e temos limitações», resume Catarina Gomes, professora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) e especialista em organização pessoal e gestão do tempo. Mais do que limitações, temos de conhecer os nossos limites percebendo que papéis são mais importantes para nós – e não há mal nenhum em escolher uns em detrimento de outros. «Gerir o nosso tempo implica sabermos o que é verdadeiramente importante e necessário para nós no dia-a-dia.»

7. ANTECIPE AS LANCHEIRAS

As correrias pela manhã são um clássico: como elaborar lanches saudáveis para as crianças se nem temos tempo para confirmar que lavaram a cara antes de saírem de casa? A fórmula não tem nada que saber: um pão, mais uma peça de fruta, mais um laticínio, reservando dez minutos de véspera para orientarmos as nossas cabeças de pais e deixar a imaginação tratar do resto. Antecipe também a sua própria marmita, utilizando inclusivamente o que sobrar do jantar se por acaso tiver cozinhado a mais. No final, aproveite o embalo e ajude o seu filho a preparar a mochila para o dia seguinte antes de ir para a cama.

6. INVENTE JOGOS

Não precisa de ser nada muito elaborado e pode sempre ir adiantando o jantar enquanto brinca com as crianças e as ajuda a aprender. Pegue numa matéria da escola e transforme-a em adivinhas ou curiosidades para perguntar à mesa ou quando vão no carro. Qual o nome dos rios? Como se chamam os animais em inglês? E o abecedário? Para Fernando Alberca, especialista espanhol em educação, comportamento e aprendizagem, há que mudar a forma de conceber os estudos pondo em prática o que sabemos da psicologia, da pedagogia, da neurociência. «Quando estudar e aprender se torna agradável, isso gera motivação, que por sua vez faz com que o estudo seja ainda mais eficaz», diz. No fundo, é criar atividades, rotinas e jogos que permitam fazer o que tem de ser feito em jeito de brincadeira.

5. ESTUDAR SEM EXAGEROS

Segundo a psicóloga especialista em desenvolvimento infantil Ana Manta, exigimos aos nossos filhos que passem muitas horas sentados a estudar quando, na maioria das vezes, eles já desligaram a partir da primeira meia hora. «Se até nós, adultos, precisamos de pausas para arejar a cabeça, imagine os pequenos, com menos maturidade e capacidade de concentração.» O ideal, sugere, é que os pais consigam pelo menos uma hora ao fim do dia só para estarem com a criança e que, dentro dessa hora, definam um prazo controlado para ela cumprir a tarefa (uns 30 minutos) e aproveitem o resto do tempo para fazerem um jogo, um passeio juntos, o que for. «A criança aprende que quanto mais depressa fizer os deveres, mais depressa vai brincar consigo.»

4. PLANEIE AS TAREFAS DIÁRIAS

A tal antecipação das lancheiras e marmitas é uma delas, ou decidir o que irão todos vestir no dia seguinte. Outra coisa que pode estruturar com antecedência e lhe poupa bastante tempo é definir previamente o que se vai comer durante a semana e, se possível, cozinhar algumas dessas refeições por antecipação (por exemplo, fazer uma boa panela de sopa ao domingo), deixando-as no frigorífico prontas a aquecer. «Em última análise, iremos ganhar mais algum tempo de qualidade para os filhos», sublinha a psicóloga Ana Manta. Nem que seja uns 20 minutos totalmente dedicados a eles, a brincar com eles, de coração, sem estarmos stressados a gritar com os miúdos por tudo e por nada.

3. APOSTE EM ROTINAS

Ainda na mesma onda, é importante manter rotinas diárias: quantas mais seguir, mais eficaz será o seu desempenho. Esboce o que será o seu dia-a-dia ideal e uma semana-modelo – para si e para os seus filhos –, planeando numa agenda todas as tarefas essenciais com que normalmente contam para organizá-las da forma mais produtiva. Se possível, fixe as tarefas de rotina no mesmo dia de cada semana. Outra coisa que funciona muito bem com as crianças, segundo Ana Manta, é criar um “cartão de cliente” dos trabalhos de casa: quando completo, uma cruz por cada meta atingida, ganham uma atividade em família. «Outra é o bingo de leitura: eles começam a ler por obrigação, dez minutos por dia para colarmos lá a estrelinha, e às tantas entusiasmam-se e já querem ler vinte ou trinta minutos, e até fazem questão de vir partilhar connosco o que lhes ficou da história», diz a psicóloga.

2. MANTENHA O FOCO

Usar o tempo com objetividade fará com que se tornem – pais e filhos – mais eficientes, confiantes, senhores da agenda e descontraídos no trabalho (ou na escola) e na vida. Não queira fazer tudo ao mesmo tempo com medo de estar a perder algo: é meio caminho para dar pouco de si em cada coisa, incluindo as relações e projetos que verdadeiramente lhe importam. Do mesmo modo, saiba dosear as suas próprias expetativas e não insista num tipo de educação hiperexigente e frenética para as suas crianças. Na Finlândia, por exemplo, sempre nos tops do desempenho escolar a nível internacional, as crianças aprendem a ler e a escrever a partir dos 6 ou 7 anos, não aos 3.

1. HORAS DE IR PARA A CAMA

A dormir são feitas atualizações orgânicas críticas, processam-se emoções, consolidam-se memórias e aprendizagens. Por isso há que respeitar a hora de deitar das crianças (e a sua) cultivando, também aqui, rotinas que facilitem o sono. «Em Portugal, as gerações mais novas sofreram mudanças substanciais no estilo de vida nas últimas décadas que favorecem o cansaço», alerta a neurologista Teresa Paiva, especialista em sono, preocupada com o facto de 70 por cento dos portugueses irem para a cama depois da meia-noite (crianças e adolescentes resistem como gente grande a deitarem-se a horas). Depois de pôr o seu filho a dormir ainda pode adiantar algo que lhe facilite a vida no dia seguinte, mas evite derrapar no seu próprio descanso. E nunca, NUNCA, leve trabalho para a cama.

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