OPINIÃO

Como acabar com a caspa

A causa exata da dermatite seborreica do couro cabeludo é desconhecida, mas os fungos oportunistas que habitam na nossa pele são apontados como responsáveis por essas escamas brancas que «atacam» gente de todas as idades.

Texto de Sara Dias de Oliveira | Fotografia de Shutterstock

O diagnóstico é fácil e evidente, fica à vista, mas o tratamento pode ser complexo por se tratar de uma situação crónica. A caspa dispensa apresentações. Atinge o couro cabeludo, é chata, incomoda, e acaba, num momento ou noutro, por afetar toda a gente, independentemente da idade.

Como aparece? Não se consegue apontar com toda a exatidão a causa dessa dermatite seborreica do couro cabeludo, embora alguns fungos oportunistas que moram na nossa pele sejam indicados como os principais culpados. Mas há outros fatores que agravam a caspa.

O cansaço, as alterações climáticas, as alterações emocionais, a função imunológica debilitada, as intercorrências no estado de saúde e alguns medicamentos agravam a caspa.

Segundo Manuela Selores, diretora de serviço de Dermatologia do Centro Hospitalar do Porto, professora do mestrado integrado em Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, «o cansaço, as alterações climáticas, as alterações emocionais, a função imunológica debilitada, as intercorrências no estado de saúde e alguns medicamentos» agravam a dermatite seborreica do couro cabeludo.

Caspa é a palavra vulgarmente usada em lugar da designação científica de dermatite seborreica, uma doença inflamatória benigna localizada nas áreas ricas em glândulas sebáceas. «Atinge 1 a 5% da população em geral, sendo que em algum momento da vida nos afeta a todos», diz a médica.

É mais frequente no sexo masculino e pode aparecer nas primeiras semanas de vida. «A forma infantil inicia-se por volta da terceira ou quarta semana de vida, prolongando-se normalmente até ao primeiro ano de vida, podendo atingir, além do couro cabeludo, as sobrancelhas.» Clinicamente, nestes casos, caracteriza-se por escamas espessas, amareladas, que aderem e aglutinam o cabelo, formando uma carapaça mais ou menos intensa, a que se costuma chamar «crosta láctea». Apesar do aspeto e dos incómodos, não interfere com a qualidade de vida do bebé e é uma situação controlada.

Combater a caspa é possível e normalmente é uma batalha com vitórias. Deve evitar-se o contacto das unhas com o couro cabeludo e existem remédios para este problema, que deverão ser aconselhados por um dermatologista.

No adulto, a caspa aparece após a puberdade. «Nos casos ligeiros, caracteriza-se por uma descamação, difusa e fina, por vezes pruriginosa, quando associada à transpiração.» Mas há casos mais graves. Aí, explica Manuela Selores, «as escamas espessam-se, aglomeram-se e aderem aos cabelos dando um quadro semelhante à crosta láctea».

Combater a caspa é possível e normalmente é uma batalha com vitórias. As unhas não devem agarrar-se ao couro cabeludo «pois podem causar uma infeção secundária caso não estejam limpas». E é comum associar-se a oleosidade do cabelo à caspa por causa da atividade das glândulas sebáceas.

«O tratamento nas situações mais graves passa por remover as escamas com preparações queratolíticas como, por exemplo, o ácido salicílico», substâncias esfoliantes e antimicrobianas que afinam a camada mais espessa da pele. Depois há os champôs com cetoconazol, sulfureto de selénio, e derivados de alcatrão, que constituem o tratamento padrão nestes casos. «Estes devem ser alternados com os champôs de frequência suaves, sendo que não existe uma regra quando à frequência de lavagem do couro cabeludo», avisa a dermatologista. «A frequência do uso dos champôs de tratamento deve ser reduzida quando desaparece a crise, mas não suspensos», alerta. E quando há muito prurido na cabeça convém recorrer aos corticoides tópicos que se utilizam para reduzir dermatites e eczemas.

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