As promessas do surf português

O surf português está em alta e tem futuro. Estes três nomes prometem vir a dar muito que falar, cá dentro e lá fora, em ondas regulares e ondas grandes.

Texto de Miguel Pedreira | Fotografia de Ricardo Bravo

3. TERESA BONVALOT

Aos 17 anos, Teresa Bonvalot é a maior esperança do surf nacional para um lugar no WCT feminino. Vencedora de etapas do campeonato nacional feminino aos 13 anos, campeã nacional aos 14 e 15 anos, Teresa tem-se dedicado mais, nos dois últimos anos, aos circuitos internacionais de juniores. É bi-campeã europeia Pro Junior (2016 e 2017), Top 5 mundial nos três últimos anos (em 2014 foi terceira) e vice-campeã mundial pela seleção nacional. Em Portugal tem sentido a concorrência de Carol Henrique e Camilla Kemp (outros dois grandes talentos nacionais) desde 2015 e, mais recentemente, de uma nova geração de atletas como Yolanda Hopkins, Tânia Oliveira, Mafalda Lopes ou Mariana Garcia, para quem é um exemplo a seguir. Pode sagrar-se tri-campeã nacional este ano, mas o seu grande objetivo é o título mundial Pro Junior (sub-18), para o qual irá competir pela última vez, em janeiro de 2018. Depois desse campeonato e de terminar o 12º ano, Teresa irá dedicar-se ao circuito mundial de surf feminino de qualificação a 100% (tem competido nestas provas a espaços, com resultados muito positivos), com o objetivo de entrar para a elite mundial, onde já competiu como convidada (na etapa portuguesa), nos últimos 4 anos, recebendo rasgados elogios das melhores surfistas do mundo. É de uma extrema simpatia, embora não seja aconselhável de ser abordada imediatamente antes ou depois de uma bateria. É que, formada igualmente pela «escola Surftechnique», o foco competitivo é uma das suas principais armas.

2. AFONSO ANTUNES

A prova de que o ditado «filho de peixe sabe nadar» é certeiro. Filho mais novo de um dos surfistas nacionais mais competitivos de sempre (João Antunes), Afonso provavelmente já surfava na barriga da mãe. Com toda a certeza, aos dois ou três anos, a acompanhar a família nas provas em que o pai competia, não saía da sua mini-prancha, à beira da água… 10 anos depois, Afonso é um caso sério de talento numa geração carregada dele. A liderar uma geração com nomes como os de Guilherme Ribeiro, Joaquim Chaves, João Vidal, Francisca Veselko, Martim Paulino, Gabriel Ribeiro, entre outros, Afonso tem sido o maior destaque entre eles. Campeão nacional e europeu (pela seleção, também campeã) de sub-14, no ano passado, campeão nacional sub-16 em 2017, aos 13 anos, foi 5º classificado nas duas últimas etapas do circuito europeu Pro Junior (sub-18) deste ano (acabando no Top 10 do ranking final) e chegou aos quartos de final da última etapa do circuito nacional de surf open, na Praia Grande. Com o apoio dos pais e a orientação do pai e de José Seabra, tem vivido e competido entre Portugal, EUA, Marrocos, Hawaii, África do Sul, Austrália… onde tem surfado ondas cada vez melhores e mais difíceis e o seu surf tem evoluído de forma exponencial. Pode vir a ser o maior caso de sucesso do surf nacional.

1. ANTÓNIO RODRIGUES

Com apenas 18 anos, António é uma das maiores esperanças nacionais no ataque às ondas realmente grandes. Natural do Porto e filho de um surfista de ondas grandes dedicado, António cresceu a ver o pai e amigos como Abílio Pinto (um dos maiores e menos conhecidos Big Wave Riders portugueses dos últimos 30 anos) a atirarem-se a ondas como a «ilha de Salgueiros», Praia do Norte, na Nazaré ou Jardim do Mar, na ilha da Madeira. Com uma apetência natural e um à-vontade para mares grandes acima da média para a sua geração, António Rodrigues foi um dos surfistas mais jovens de sempre a ser nomeado para os prémios XXL Big Wave Awards, os «Óscares das ondas grandes», devido a uma onda com cerca de 10/12 metros, na qual foi colocado pela lenda do surf gigante Garrett McNamara, na Praia do Norte. Tinha ainda 17 anos e nunca mais se esqueceu. Ao ponto de ter praticamente deixado de competir nos eventos habituais para a sua idade e de estar dedicado às ondas tubulares e/ou enormes. Esperem vê-lo na Nazaré, no próximo inverno, seja rebocado ou a braços, a surfar o melhor que souber e a inspirar pessoas a ultrapassarem os seus limites. António espera um dia vir a ser reconhecido e respeitado como um verdadeiro «waterman».

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