OPINIÃO

Aplicação criada no Porto permite aos idosos avaliar a sua forma física

Uma aplicação móvel que permite aos idosos realizar uma autoavaliação da sua mobilidade, forma física e alimentação, foi desenvolvida pelo Porto4Ageing - Centro de Excelência em Envelhecimento Ativo e Saudável, coordenado pela Universidade do Porto e pela autarquia.

Texto de Lusa | Fotografia de Shutterstock

Esta ferramenta, denominada «Frail Survey» (Inquérito de Fragilidade), permite ainda à população idosa verificar outros fatores como a visão, a audição e os aspetos cognitivos e psicossociais, medindo assim a sua fragilidade (que pode ser robusta, pré-frágil ou frágil), indicou o gestor do projeto, Elísio Costa.

Em declarações à Lusa, explicou que a medição da fragilidade é «bastante útil», visto que a sua progressão pode ser «minimizada ou retardada» com alteração de estilos de vida, nomeadamente com a adoção de bons hábitos alimentares, prática de exercício físico, manutenção de atividade intelectual e sustentação das redes sociais, entre outras.

Nesta aplicação, gratuita e disponível para download a partir de 9 de maio, é o próprio idoso quem introduz os dados, podendo, no entanto, ser utilizada por um familiar ou um cuidador para avaliar a condição de fragilidade dos indivíduos em causa.

De acordo com o gestor do projeto, os Censos de 2011 mostram que a população idosa portuguesa aumentou 19 por cento na última década, o que faz «despertar uma atenção emergente» para se perceber, explicar e intervir no processo de envelhecimento. «Sabe-se que o curso normal do envelhecimento está associado a um declínio gradual das capacidades funcionais, sendo as pessoas idosas que estão em alto risco de declínio descritas como frágeis», referiu.

Segundo Elísio Costa, responsável pelo projeto, esta é a primeira aplicação em língua portuguesa para avaliação da fragilidade dos idosos pelos próprios.

Embora a fragilidade seja explicada por múltiplos modelos, «é consensual que fatores fisiológicos e psicossociais estão na sua base», referiu o responsável, acrescentando que estudos internacionais demonstram que esta condição é caracterizada por uma maior vulnerabilidade, conduzindo à incapacidade, à institucionalização, à hospitalização e à morte.

Segundo Elísio Costa, esta é a primeira aplicação em língua portuguesa para avaliação da fragilidade dos idosos pelos próprios, existindo no mercado uma solução semelhante, orientada para profissionais de saúde, que não está disponível em português.

O desenvolvimento desta tecnologia surgiu no seguimento do 2016 Pilot Twinning Support Scheme of the European Innovation Partnership on Active and Healthy Ageing, que financia a cooperação entre Sítios de Referência Europeus, de forma a estes partilharem boas práticas e incrementarem-nas em outras regiões a nível europeu.

A tecnologia vai ser apresentada durante o primeiro «Open Day» do Porto4Ageing, no dia 9 de maio, no Instituto Abel Salazar, no Porto.

Este projeto permitiu a adaptação de uma prática desenvolvida pelo Reference Site DEP – Lazio Regional Health Service de Roma (Itália), na qual os idosos com mais de 80 anos são monitorizados, tendo como ponto de partida a avaliação da fragilidade através de um questionário online.

Esta tecnologia vai ser apresentada durante o primeiro «Open Day» do Porto4Ageing, no dia 9 de maio, evento que vai decorrer no complexo do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (ICBAS/FFUP), contando com a participação de diversos parceiros.

Esta iniciativa, indicou Elísio Costa, visa colocar as instituições que constituem o consórcio a pensar em conjunto sobre soluções e produtos que possam promover a qualidade de vida e um envelhecimento ativo e saudável na região.