OPINIÃO

Ambiente contemporâneo com paredes de pedra

Uma casa rural foi transformada em refúgio de férias e o projeto foi um dos quatro finalistas portugueses do concurso Building of the Year 2017.

Texto de Ana Patrícia Cardoso

A história começou há sete anos quando o proprietário de uma antiga casa de pedra em Sever do Vouga contactou o arquiteto Paulo Martins. O objetivo era transformá-la num destino de férias. A maior preocupação passava por manter a traça exterior original já que esta «estava bem integrada no conjunto rural e em sintonia com os objetivos pretendidos», explica o arquiteto.

«O interior foi pensado por forma a criar um ambiente mais contemporâneo, mais industrializado e que nos permitisse ter uma maior amplitude espacial», diz Paulo, que aceitou de imediato o convite e revela estar bastante satisfeito com o resultado final e a repercussão que o projeto tem tido.

Com uma área útil de 45m2, houve uma preocupação grande em criar soluções que trouxessem uma ideia de amplitude. Não há sinais de apontamentos berrantes ou excêntricos. Paulo explica porquê: «Cores claras contribuem para maximizar os limites construídos e desobstruir visualmente o espaço que por si só já é bastante reduzido.» No piso térreo estão a cozinha e a sala de estar ligadas ao exterior por duas portas grandes de vidro que iluminam todo o r/c com luz natural.

O enorme sofá cinzento cria a divisória invisível entre os dois ambientes e está virado para uma lareira embutida na parede. O andar superior é ocupado por uma suite e casa de banho, ambas com a mesma linguagem minimalista que está presente no resto da casa.

Uma das particularidades é a escada interna que dá acesso ao primeiro andar e que se desmaterializa, «servindo não só para arrumos como também para separar fisicamente os espaços/usos», refere o arquiteto. Chegar ao grupo de finalistas da competição Building of Year 2017 foi uma surpresa mas também uma vitória para o autor do projeto que assume ter sido «um encontro feliz entre o passado e o presente».

Reconhecimento internacional

O Prémio Edifício do Ano 2017, promovido pela ArchDaily, a maior plataforma de arquitetura mundial, fundada em 2008 e com sede em Nova Iorque, teve quatro projetos finalistas portugueses (entre eles, a SH HOUSE) e dois deles sagraram-se vencedores. A Casa Cabo de Vila, do ateliê de arquitetura Spaceworkers, venceu na categoria Casas e o Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, da autoria de Luís Pedro Silva, venceu na categoria Arquitetura Pública. A SH House esteve nomeada no grupo de Reformas e o projeto The Dovecote da AZO Sequeira Arquitetos Associados concorreu na área de Arquitetura de Pequena Escala.

FICHA DO PROJETO:
Casa de férias
Autor: Paulo Martins

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