16 coisas que o Japão nos deu e sem as quais já não vivemos

Lisboa recebe hoje a VII Festa do Japão no Parque das Nações, entre as 16h00 e as 22h00, num ambiente de verdadeiro matsuri (festival) japonês. A desculpa perfeita para recordar o tanto que o Japão nos tem dado – e nós adoramos!

Texto de Ana Pago | Fotos da Shutterstock

É por todas estas razões que gostamos tanto do Japão.

16. SUSHI

Sashimi. Hosomaki. Gunkan maki. Temaki. Nos últimos anos, foram muitos os portugueses que se renderam a esta maravilha da gastronomia japonesa e só podemos agradecer o aumento da oferta. Já lhe torcemos o nariz, fizemos esgares de nojo diante da ideia de comer peixe cru e até ficámos curiosos para ver se o Bonsai iria sobreviver depois de abrir portas aos comensais em maio de 1987, na Rua da Rosa, Bairro Alto, em Lisboa, quando a desconfiança ainda era maior do que a vontade de experimentar. Hoje é uma moda perfeitamente instalada e ainda bem: afinal, quem resiste a um belo nigiri?

15. MANGA E ANIME

O manga (lê-se mangá) vem primeiro: são as histórias em banda desenhada ao estilo japonês, com personagens de olhos grandes e graficamente muito expressivas – os primeiros mangas publicados em Portugal foram Ranma ½ e Spriggan, ambos em 1995, e deram inclusive origem a revistas manga portuguesas, como a extinta Banzai e o jornal Jankenpon. Anime são as animações japonesas, muitas das quais inspiradas no manga, com as mesmas personagens de olhos brilhantes e humor refinado. De tal modo que a sua comunidade de fãs se estende pelo mundo.

14. ESTÉTICA MINIMALISTA

Como podia um país permanentemente assolado por terramotos e tsunamis cultivar outra política que não a de ter um mínimo de objetos em casa? Sobretudo sendo eles a principal causa de ferimentos durante as catástrofes? A resposta certa é: não podia. Ainda por cima quando a influência do budismo zen é tão forte, incitando à simplicidade e ao desapego dos bens materiais. Estudos recentes concluíram que descartar tudo o que for inútil no trabalho, como na vida, abre espaço a uma perceção mais ampla do mundo, com novas oportunidades daí decorrentes. Talvez por isso o minimalismo tenha virado uma moda. E se em termos estéticos resulta mais harmonioso e bonito, tanto melhor.

13. A HONRA DOS SAMURAIS

Ainda que possamos não o praticar no dia-a-dia, todos temos esse sentido de honra inabalável dos samurais como uma espécie de ideal a alcançar. No filme O Último Samurai (2003), o capitão Nathan Algren (Tom Cruise) começa por tentar reprimir a rebelião destes guerreiros fora de série e acaba rendido a eles. «Os samurais não são pessoas comuns. Desde que acordam dedicam-se à perfeição em tudo o que fazem, nunca vi tal disciplina», suspirava o oficial, rendido ao significado de ser samurai: «É devotar-se inteiramente a uma série de princípios morais. É buscar a tranquilidade da mente e ser mestre no domínio da espada.» E a verdade é que por cá ainda há samurais. Na escola Jisei Dojo, em Lisboa, continua a seguir-se a via do guerreiro.

12. KAWAII

 

Que é como quem diz o culto das coisas fofinhas. «A noção de fofo constitui o centro da cultura desenvolvida no Japão, na era do pós-guerra, e invadiu as sociedades ocidentais devido à globalização do consumismo», explica Ana Cristina Martins, professora de psicologia social no ISPA – Instituto Universitário. Foi o etólogo austríaco Konrad Lorenz quem introduziu, nos anos 40, a noção de baby schema: um conjunto de traços físicos que ativam nos outros a vontade de cuidar, como cabeça e olhos grandes, cara redonda, testa alta, bochechas rechonchudas, nariz e boca pequenos, corpo roliço, extremidades curtas e gordinhas – tudo o que descreve os bebés, o parâmetro universal da fofura. Fica assim fácil perceber o amor à Hello Kitty, aos Pokémon e a outros bonecos com características do baby schema.

11. CARPAS KOI

Surgiram no Japão em consequência de uma mutação genética da carpa comum (oriunda da China) e são consideradas um símbolo de longevidade, prosperidade e fertilidade – tudo coisas muito desejáveis na vida de uma pessoa. Junte-se a esses atributos a coragem, capacidade de superação, firmeza para cumprir os objetivos e rapidamente se percebe o porquê de as carpas koi serem tão procuradas, seja em tatuagens ou exemplares vivos que cada vez mais apaixonados mantêm em lagos ornamentais. No Dia da Criança japonês (o Kodomo no Hi, celebrado em maio), as famílias demonstram o respeito pelas suas crianças pendurando bandeiras coloridas em forma de carpa acima da linha dos telhados. Já nós podemos homenagear ambas usando as muitas capas com koi disponíveis para iPhone.

10. QUIMONOS

Em japonês significa “coisa de vestir” e é considerado o traje típico tradicional no Japão, mas nada impediu o quimono de se tornar um must have do momento também por cá (o facto de ter uma forma ampla que não marca o corpo só tem vantagens). Colorido e requintado, dá para usar na praia sobre o biquíni, em casa como robe ou a fazer as vezes de casaquinho de final de tarde, igualmente aconchegante mas muito mais estiloso. A única regra é combiná-lo com peças neutras por baixo, para não correr o risco de parecer uma explosão de cores numa fábrica de tintas.

9. KARAOKE

À letra quer dizer “orquestra vazia”, surgiu no Japão em 1971 pela mão do inventor Daisuke Inoue – que não o patenteou e por isso ficou a arder com a fortuna que poderia ter ganho – e ainda hoje tem uma dimensão no país de origem que não se compara à existente em nenhum outro, apesar de o karaoke ter entretanto corrido o mundo. Em 1991 chegou ao Algarve trazido por estrangeiros, sendo depois levado para o centro do país pela família Gameiro – os primeiros portugueses a fazerem karaoke em Portugal. E sim, acaba por se tornar viciante: o recorde mundial foi estabelecido a 20 de julho de 2008, num clube de Helsínquia, Finlândia, com 446 horas, 4 minutos e 6 segundos a cantar sem parar.

8. FUROSHIKI

O nome torce-se na língua quando é pronunciado, a técnica em si mesma requer algum jeito, mas o conceito do furoshiki não podia ser mais simples: é uma técnica tradicional de embrulhar objetos com lenços de tecido, cada vez mais utilizada por cá para se embalar presentes. Uma das últimas tendências a correr mundo é um saco de compras que a marca japonesa Felissimo criou com focinho, cor de roedor e orelhas que, uma vez enlaçadas para fechar o conteúdo no interior, formam o que parece ser um coelho (existem quatro versões diferentes à venda no site). Porquê ter as conservas à solta na despensa quando pode acondicioná-las em bichinhos amorosos?

7. ORIGAMI

Não há cortes no papel. Nem cola. Nem perder a paciência e amassar tudo se em vez de um belo cisne azul nos sair uma bola amarfanhada. A arte do origami tem muito que se lhe diga mas, uma vez apanhado o jeito de dobrar nos sítios certos, não há nada que não se consiga fazer, desde pássaros sagrados a elefantes. Conta uma lenda popular japonesa que aquele que fizer mil tsurus (grous, aves do tamanho de cegonhas) em origami ganha o direito de ver um desejo seu atendido pelos deuses.

6. COSPLAY

Já anteriormente lhe falámos de manga e anime, cada qual a arrastar atrás de si a sua própria multidão de admiradores. Quando a admiração desses admiradores é tanta que só lhes apetece vestirem-se como as suas personagens favoritas, temos aquilo a que se chama cosplay, com os cosplayers de cá a irem participando em eventos como a Comic Con Portugal, a Iberanime ou o Cosplay World Masters. É oficial: estamos a apropriar-nos da cultura asiática. Nem só o que é americano influencia a juventude.

5. A MUJI

Puseram-lhe o diminutivo de Muji porque é difícil pronunciar o nome completo de Mujirushi Ryohin, que se pode traduzir por produtos funcionais e de qualidade, sem extravagâncias. Em 1980 estreou-se como uma espécie de marca branca na cadeia japonesa de supermercados Seyu, criando uma gama de produtos bons e baratos, acessíveis a todos. Em 1991 começou a alargar fronteiras abrindo a primeira loja no estrangeiro (em Londres). A Portugal chegou em 2010 (à Rua do Carmo, em Lisboa), trazendo os seus acessórios de beleza, bem-estar, mobiliário, escritório, decoração, roupa e artigos de viagem. Não é à toa que esta não-marca é conhecida como a IKEA japonesa, eternamente minimalista e funcional.

4. SAKÊ

É a bebida nacional do Japão, tem mais em comum com a cerveja do que com o vinho na forma de fermentação (a partir do arroz) e a sua produção já foi considerada um trabalho de mulheres até ao final do século XVI, altura em que os homens quiseram o álcool só para si. O sakê pode ser servido frio, morno ou quente, e vem carregadinho de boas notícias: não tem glúten, é das bebidas alcoólicas que menos engorda e dará menos ressaca (em princípio) do que o vinho. Só não pode dizer tchin tchin: o som é idêntico ao do palavrão referente ao órgão genital masculino, pelo que o brinde pode cair-lhe mal.

3. ARTES MARCIAIS

É um facto: hoje em dia não faria qualquer sentido andarmos por aí de sabre na mão, a despachar inimigos como um guerreiro antigo. Mas também é certo que o enriquecimento pessoal que esses guerreiros cultivavam (não era só luta) chegou até nós pela via das artes marciais, que se mantêm atuais ao ajudarem os praticantes a enfrentar os desafios que o presente lhes coloca – a guerra pode ser muita coisa. Seja a fazer kendo (o caminho da espada), judo (o caminho da suavidade), kyudo (o caminho do arco), aikido (o caminho da harmonia), karaté (a arte das mãos vazias) ou qualquer outra arte marcial, saiba que todas elas visam o autoaperfeiçoamento do ser humano, num percurso próprio e contínuo.

2. IKEBANA

 

Da mesma forma que o kendo é o caminho da espada, esta é a via das flores, a arte dos arranjos florais. A estrutura baseia-se em três pontos principais que simbolizam o céu, a terra e a humanidade, por isso não se admire se a composição resultar mais simples ou menos frondosa do que aquelas a que estamos habituados: faz tudo parte de se respeitar a beleza dos ramos, folhas e rebentos como organismos vivos, perceber a beleza das formas naturais, as suas cores, e chegar então ao arranjo final como um todo, perfeitamente delineado. Quase como um David de Miguel Ângelo, mas num vaso.

1. POKÉMON GO

Tudo começou quando o designer de jogos japonês Satoshi Tajiri criou, em meados dos anos 90 e a pensar no Game Boy, várias espécies de monstros de bolso (os Pokémon), que os jogadores (chamados Treinadores de Pokémon) devem capturar, treinar e levar para a batalha. Os jogos principais rapidamente se desdobraram em anime, manga e cartas colecionáveis, com cada jogador a sonhar tornar-se um Mestre Pokémon. O sucesso é tal que no verão passado não se falava de outra coisa a não ser da app Pokémon Go, a mais descarregada no iPhone em 2016.

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