Um apartamento do género masculino

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Pode uma casa ter género? O gabinete de arquitetura que remodelou esta acha que sim.

Uma casa do início do século XX reabilitada e decorada para evocar uma elegância masculina. O projeto combina tempos, histórias e estéticas, sem comprometer a vivência quotidiana.

Talvez Lisboa seja, de facto, «menina e moça», mas é no masculino que se apresenta este apartamento. Inserido num edifício do primeiro quartel do século XX, com uma fachada que evoca o período Arte Nova, o apartamento possuía uma divisão dos espaços típica das casas antigas, com muitos pequenos quartos. «Tratava-se de um apartamento de tipologia T5 ou T6», diz Tiago Patrício Rodrigues, responsável pelo projeto. Para fazer melhor uso do espaço, derrubaram-se paredes e ficou-se com um apartamento T2 onde, aos materiais, formas e acabamentos que remetem para o passado, se juntou o desenho contemporâneo. «Os espaços refletem inúmeros tempos, histórias e estéticas, que se complementam, num compromisso de criação de vivência quotidiana, onde se cruzam mobiliário e iluminação de todo o século XX, tapetes orientais vintage e arte contemporânea», diz o arquiteto. Foi dessa fusão de eras e estéticas que nasceu um apartamento intemporal, «pensado para o homem do século XXI».

Na sala, onde convivem as zonas de estar e de jantar, é possível encontrar pormenores engenhosos, como a utilização de uma papeleira dos anos 1950 como aparador. À madeira, que sublinha o caráter masculino, somam-se detalhes em tons claros que iluminam o espaço, como as portadas das janelas, em branco, ou o tapete redondo de lã na área de jantar. No quarto principal, o espaço foi aproveitado para incluir um closet que faz as vezes de escritório, proporcionando uma zona de trabalho separada. O roupeiro embutido, desenhado à medida, garante arrumação e organização de forma discreta e harmoniosa. A ocultação elegante dos espaços é uma das marcas deste apartamento. No hall, um painel de madeira exótica de Mutene foi também a forma escolhida para ocultar os armários embutidos e o acesso à casa de banho.

 

FICHA DO PROJETO:
Apartamento A3
Autor: Tiago Patrício Rodrigues
Localização/Data: Lisboa, 2013

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