OPINIÃO

Os homens de Tony Carreira

Não são só as mulheres que vibram com as canções de Tony.

Quando o mais popular cantor romântico portugfuês canta, não são só os corações femininos que batem mais forte. São poucos, mas ferverosos, os homens que vibram com as músicas de Tony Carreira. A paixão pelo artista é tanta que há até quem tatue o seu nome no braço.

«Recebi críticas atrás de críticas quando fiz a tatuagem. Só me perguntavam por que não tinha tatuado o nome da minha mulher em vez do do Tony. Eu dizia sempre a mesma coisa: a vida dá muitas voltas, mas do Tony eu vou gostar sempre.» Pedro Reis, 50 anos, apregoa assim a paixão que tem por Tony Carreira. Foi há três anos que decidiu tatuar no braço o nome do homem que o faz esquecer todos os problemas cada vez que canta.

«Não sei bem explicar o que é, mas quando oiço as músicas dele, principalmente quando vou aos concertos, por mais problemas que tenha na vida, fico completamente relaxado. Ponho tudo de parte, danço, vibro, são momentos únicos os que vivo nos concertos.»

Casado há mais de vinte anos com outra fã de Tony Carreira, Pedro conta que a mulher não tem ciúmes desta sua paixão. «Às vezes, ela é pior do que eu. Eu sou o fã número um dos homens, mas ela também o adora.» Por isso, o dia em que conheceram o seu ídolo foi simplesmente inesquecível: «Quando penso que gostava de estar com ele, imagino mil e uma coisas que gostava de fazer e dizer, mas depois chego lá e fico hipnotizado, vidrado, pouco consigo dizer. Mas foi sempre muito emotivo estar com ele.»

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TUDO POR TONY
Rafael Monteiro, 18 anos, também sente esta mesma emoção cada vez que está com o seu ídolo ou, até, cada vez que se fala nele. O estudante não é fã oficial, mas já cometeu loucuras para estar mais perto do homem cujas músicas lhe «falam ao coração.»

«A maior loucura que fiz foi ter estado a tarde toda sem comer para guardar o lugar para o concerto», assume, divertido. E nós acrescentamos mais uma: ter ido de propósito de Baião até Lisboa para não perder a oportunidade de falar com a NOTÍCIAS MAGAZINE sobre o cantor de eleição e mostrar em fotografia o quão gosta dele. Afinal, não é todos os dias que se pode «gritar» aos sete ventos o quanto se admira um ídolo.

«O Tony tem algo de diferente, é uma pessoa muito terna, muito humilde, toca no coração das pessoas, talvez isso seja parte da explicação do sucesso dele. Ele fala ao coração.»

No concerto do Meo Arena, que encerrou a Tournée 2016, não há um lugar vazio. Minutos antes de Tony Carreira entrar em palco, a histeria já está instalada. São muitos os que gritam em uníssono a chamar o seu Cantor de Sonhos, nome de uma das músicas do artista. O clímax acontece, naturalmente, quando são entoados os primeiros acordes de A Vida Que Eu Escolhi.

Carlos Fontes, 39 anos, escolheu, há mais de duas décadas, ser fã de Tony. Os amigos gozam com ele, dizem que são músicas para mulheres, mas Carlos não quer saber. Já diz o ditado popular que gostos não se discutem. «Muitos dos que criticam acabam por ouvir e assumir que gostam de algumas músicas», revela. Já quem não é fã do cantor é a mulher de Carlos. Enquanto no Meo Arena o profissional de fios e cabos elétricos grava com o telemóvel as atuações do ídolo para mais tarde recordar, Alexandra mantém-se sempre sentada, agarrada ao telemóvel e, muitas vezes, não esconde o ar entediado. «Ela não gosta muito deste estilo de música e algumas vezes nem vem comigo aos concertos, diz que eu me esqueço de tudo quando estou a ouvir o Tony. A Alexandra não tem nada contra ele, mas acha os concertos muito deprimentes.»

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«O MAIOR ARTISTA PORTUGUÊS»
A verdade é que grande parte das músicas, principalmente os maiores sucessos do cantor, falam de amores que chegaram ao fim e de saudades, mas são principalmente essas palavras que tocam mais fundo no coração dos fãs. Paulo Cunha, fã oficial número 1633, nem sabe dizer de qual música do seu ídolo é que gosta mais. Fala da Saudade de Ti, da Porque É Que Vens, Um Grande Amor, Tu Levaste a Minha Vida… São tantas, para não dizer todas, as que mais fazem Paulo vibrar. No concerto de 3 de dezembro, num pavilhão completamente esgotado – há mais de um mês que já não era possível comprar bilhetes –, Paulo não parou um segundo. De cachecol no ar, dançou, cantou, vibrou, viveu mais um momento inesquecível frente a frente àquele que diz ser «o maior artista português». «Gosto do Tony por ser um extraordinário cantor, por nos proporcionar verdadeiros concertos de sonho. Aprendi também a admirá-lo pela pessoa que é, um ser humano simples, humilde que nunca perdeu esses predicados que tão bem o caraterizam.»

Tony nunca esquece de onde veio, da infância humilde que teve, e agradece constantemente aos fãs terem-no levado a conquistar o que já conquistou: 28 anos de carreira, 14 álbuns de originais, 48 discos de platina e mais de três milhões de discos vendidos. É este toque de pessoa verdadeira, feita de carne e osso, feita também de sofrimento e dificuldades, que aproxima ainda mais os fãs do cantor.

Dias antes do concerto, Carlos emociona-se quando fala do seu ídolo. Durante o espetáculo não é efusivo como Paulo, mas sabe as letras todas de cor e canta-as de forma sentida.

Tony brinca com os homens presentes no concerto: «Quantos vieram de livre vontade e quantos vieram contrariados?» Ouvem-se mais vozes em resposta à primeira pergunta do que à segunda. E gargalhadas, risos divertidos das mulheres que os obrigaram a estar ali ou até das que foram obrigadas a ir.

Como sempre, um concerto de Tony Carreira não acaba quando as luzes se apagam. Os fãs sabem que o cantor lhes dá sempre algo mais. Cerca de uma hora depois do fim do espetáculo, quando a madrugada já se impunha em todos os relógios, Tony, sorridente e cheio de energia, apareceu junto às largas centenas que não queriam perder a oportunidade para um beijinho, um autógrafo e a fotografia para o álbum de recordações. Carlos foi o primeiro a conseguir esse momento. No seu telemóvel já nem tem conta de quantas fotos tem com Tony, mas o nervoso miudinho é sempre como o da primeira vez. Alexandra, que nem gosta das músicas, também quis tirar uma fotografia. Tony brincou com o momento: «Ela ainda vai lá, ela ainda vai gostar…»


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«OS HOMENS PEDEM-ME AUTÓGRAFOS, SELFIES, TUDO A QUE TÊM DIREITO»
Horas antes de pisar o palco do Meo Arena pela 17.ª vez, Tony Carreira ainda fez contas, mas não conseguiu precisar quantos fãs homens tem. «Acredito que seja 90 por cento mulheres, 10 por cento homens », explica. E recorda uma história curiosa que passou a bordo de um avião. «Uma hospedeira da TAP vem ter comigo e diz: “Olhe, eu não gosto nada de si, mas o meu marido é seu fã, por isso adorava apresentá- lo.” Eu ia estar em Guimarães duas semanas depois e respondi-lhe: “Tenho todo o prazer em conhecer o seu marido, mas terá de assistir ao concerto com ele. Só no fim do concerto mo pode apresentar.” Acabou por não ser nessa altura, mas recebi-o noutro dia e hoje é um grande amigo. A mulher já me ouviu cantar e acho que já gosta!» [ri].

Os fãs homens já fazem, assim, parte da vida do cantor. «Pedem-me autógrafos, selfies, tudo a que têm direito. Há três ou quatro homens que são mesmo fãs, é uma coisa impressionante. Aliás, até conheço um que tem uma tatuagem com o meu nome e isso é uma coisa que passa para lá da música.»

Mónica Menezes
Fotografia António Pedro Santos