Onde há bonecas para rapazes?

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Saiba por que deve quebrar estereótipos.

O azul é a cor dos meninos; o rosa a das meninas. E boneca é coisa que não entra num quarto masculino. É assim desde que os bebés nascem, mas não devia ser.

E são vários os especialistas que o defendem, com recurso a apelos, em forma de campanhas, realizadas em diferentes partes do mundo, como a britânica «Let Toys be Toys» (Deixem os Brinquedos ser Brinquedos, em tradução literal), que pede à indústria dos brinquedos para deixar de limitar os interesses dos mais pequenos, ao promover a divisão entre o que são brinquedos e livros dirigidos a elas e a eles.

Até porque, garante Christia Spears Brown, psicóloga da Universidade do Kentucky, nos Estados Unidos, as bonecas ajudam as crianças a desenvolver empatia. E isto é válido para as meninas e para os meninos. Garante a especialista que este tipo de brinquedos, por simularem situações da vida real, ajudam os mais pequenos, sejam eles do sexo masculino ou feminino, a aprender a serem mais carinhosos e a cuidar de terceiros.

E de nada adianta argumentar com os gostos dos mais pequenos para justificar porque é que as bonecas são arredadas das brincadeiras masculinas porque, aqui, são os estereótipos que falam mais alto. De acordo com a especialista em desenvolvimento infantil, a investigação já confirmou que os rapazes não gostam mais de brincar com brinquedos com rodas, ainda que os carrinhos sejam tipicamente um brinquedo masculino. E confirmou também que a ideia de separação dos géneros aplicada aos brinquedos é uma coisa que os pais passam aos filhos e não algo que nasça com estes.

Num estudo da Associação Americana de Psicologia, os investigadores escolheram uma série de brinquedos que um grupo de crianças nunca tinha visto antes e dividiram-nos em duas caixas, ambas rotuladas de acordo com os estereótipos vigentes. E ainda que nunca os tivessem visto, as meninas brincaram com os brinquedos da caixa que lhes era destinada, enquanto os meninos fizeram o mesmo, mas com aqueles que se encontravam na caixa definida como masculina.

Onde há bonecas para rapaz?
Consciente desta pressão dos estereótipos e decidida a dar ao filho mais velho, de dois anos, uma boneca que ajudasse a explicar a chegada de um novo bebé à família, uma grávida norte-americana lançou-se à procura. E embora oferta não faltasse, Kristen Jarvis depressa percebeu que a escolha era muito reduzida. Encontrou de tudo um pouco, desde bonecas de plástico, bonecas de tecido, umas maiores, outras mais pequenas, com cabelos mais ou menos longos, mas todas agrupadas em três simples categorias: bebés, bonecas femininas ou figuras de ação. E nenhuma delas à altura do que pretendia, ou seja, uma boneca para um rapaz.

Depressa percebeu também que não estava sozinha na sua busca, que havia outras mães, pais, famílias que procuravam o mesmo: uma boneca que não fosse apenas dirigida a um mercado, o feminino. Por isso, decidiu lançar mãos à obra e criar a boneca que não era capaz de encontrar. Foi assim que nasceu a Boy Story, com bonecos que são uma alternativa à oferta existente, dirigidos aos meninos, e também às meninas, com idades entre os três e os oito anos.

Billy e Mason estão disponíveis para venda online e são um sucesso, com Kristen Jarvis e a irmã, que a ela se juntou nesta aventura, a venderem antes mesmo de terem o projeto concluído. Aqui, o objetivo era simples: criar um brinquedo capaz de deixar à solta a imaginação dos mais pequenos, promovendo «o companheirismo, comunicação e empatia». E a missão parece cumprida, a julgar pelo sucesso da iniciativa que, socorrendo-se de uma plataforma de crowdfundig, conseguiu não só a verba necessária para dar corpo à ideia, assim como transformá-la num sucesso nos Estados Unidos.


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