O que os animais dizem de nós?

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Respostas da ciência a tempo do Dia Mundial do Animal, que se comemora hoje.

Muito mais do que poderíamos imaginar, garante a ciência, que descobriu que escolhemos pets parecidos connosco a vários níveis. 4 de outubro é o Dia Mundial do Animal. Mas em todos os outros dias eles fazem de nós seres humanos melhores.

Quem tem animais de estimação sabe como é ser o centro do seu mundo. A alegria sincera de nos verem chegar; o amor incondicional que nos devotam. A forma como reagem aos nossos padrões emocionais e estados de alma, espelhando comportamentos dos donos – se são nervosos, deprimidos, agressivos, ansiosos, ativos, obesos, gulosos, pachorrentos. Até o facto de manifestarem sintomas semelhantes e padecerem das mesmas doenças faz prova desta relação íntima. Se calhar, percebemos a dada altura, eles não entraram na nossa vida por acaso e sim com um propósito maior. Como se nos tivessem escolhido tanto quanto nós os escolhemos. Se alguma vez ouvir alguém dizer «cara de um, focinho do outro», provavelmente é verdade.

«Há um mecanismo psicológico que explica o porquê de uma pessoa escolher um animal com caraterísticas idênticas às suas, sobretudo parecenças físicas», confirma Stanley Coren, doutorado em Psicologia e especialista em comportamento canino. Pondo a questão de forma simples, gostamos de coisas que nos sejam familiares. «Transmitem-nos sentimentos positivos, gerando uma resposta mais quente e amorosa da nossa parte. E não existe nada mais familiar do que o nosso próprio aspeto, que estamos sempre a ver ao espelho, daí as semelhanças entre os donos e os seus animais.»

Um estudo da Universidade Carroll, no Wisconsin, EUA, sugere ainda que o animal de estimação preferido tem relação direta com a personalidade do dono: amantes de cães tendem a ser mais sociáveis e enérgicos, a seguir mais regras, ao passo que pessoas que preferem gatos são mais inconformistas, introvertidas e sensíveis.

«Faz sentido que donos de cães sejam mais extrovertidos, já que precisam de os levar a passear e acabam por estabelecer contactos fora de casa», justifica a professora de Psicologia Denise Guastello, principal autora da pesquisa. Os mais fechados na concha talvez prefiram ficar a ler um bom livro, apoiados na vantagem de o seu gato não ter de sair para uma caminhada. Outros estudiosos do comportamento animal, como Borbála Turcsán, da Universidade Eötvös Loránd, na Hungria, acreditam mesmo que adotamos o animal de estimação da maneira que elegemos um parceiro de duas pernas: com base no que os olhos veem, mas também nos traços emocionais e de personalidade.


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«Estamos a pender cada vez mais para um conceito de família multiespécie», diz Gonçalo da Graça Pereira, veterinário comportamentalista e fundador do Centro para o Conhecimento Animal, em Lisboa. A preferência pelos cães deve-se ao vínculo incontestável com o dono, que aprendem a ler melhor do que o humano alguma vez saberá interpretá-los a eles – embora qualquer pet escolhido seja como um familiar chegado. «Os animais preenchem vazios causados por separações, bebés tardios, falta de convívio.» Antropomorfizá-los pode gerar problemas de comportamento, avisa, mas até isso depende da relação que os donos têm com eles e de haver regras consistentes. Vale tudo menos pensar que são inferiores a nós só por serem diferentes.

«Muitos animais demonstram os seus sentimentos aberta e publicamente para todos verem», sublinha Marc Bekoff, antigo professor Biologia Evolutiva da Universidade do Colorado e autor do livro A Vida Emocional dos Animais (ed. Estrela Polar). «Os avanços científicos estão a validar o que já nos dizia a intuição: que sentem alegria, tristeza, pena, e as suas emoções são tão importantes para eles quanto as nossas o são para nós.» Chimpanzés, golfinhos e elefantes sabem quem são (estes últimos fazem, inclusive, o luto ao perder entes queridos). Leoas-marinhas choram quando os seus bebés são comidos por orcas. Bernd Heinrich, psicólogo da Universidade de Vermont, EUA, acredita que as aves monogâmicas se apaixonam e amam o/a parceiro/a. Até as vacas formam grupos de amigas, zangam-se com outras vacas e têm prazer ao vencer desafios. Não há como os animais para nos ensinarem a ser melhores pessoas.


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