OPINIÃO

Amor e uma (grande) cabana

É como uma declaração de amor futurista à natureza.

No Vale da Caniçada, em Vieira do Minho, com vista para a paisagem do Parque Nacional Peneda-Gerês, há uma casa que tem apaixonado meio mundo. Um projeto único, com assinatura portuguesa, para se perder de amores e antecipar a primavera.

As últimas semanas têm sido de verdadeira azáfama no ateliê Carvalho Araújo. A causa? O edifício que projetaram na serra do Gerês, construído entre 2013 e 2015, que catapultou o coletivo bracarense para as páginas e sites de publicações de todo o mundo. Não é difícil perceber o interesse: erguido entre o verde de uma das mais belas paisagens nacionais, o projeto, embora de traço contemporâneo, funde-se na perfeição com a envolvente. Uma proposta que tem tanto de romântica como de prática, já que a concretização deste projeto de sonho teve em conta, também, as necessidades de uma vida real.

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Foi a vida real, aliás, que impulsionou a sua construção. Um inverno mais rigoroso deitou abaixo parte da habitação do caseiro que, até então, aí existia, levando o proprietário a decidir encomendar este projeto.

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Localizado numa encosta do Vale da Caniçada, o edifício de dois andares é como uma declaração de amor futurista à natureza. Composta por um volume de madeira sobre uma base de betão, a casa «encastra-se no terreno como uma rocha», explica o ateliê. No interior, os revestimentos são, predominantemente, de madeira e a decoração é minimalista. Uma escolha que maximiza a invasão da paisagem através das enormes superfícies envidraçadas, numa dança coordenada entre os dois territórios, tornada ainda mais óbvia graças às generosas dimensões da zona social, constituída em open space – é a divisão central, materializada num grande salão que se prolonga para o exterior.

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Laura Patrício
Fotografia: Hugo Carvalho Araújo