Matriarcas: quem manda são elas

Leonor Freitas

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Leonor Freitas, Justa Nobre, Ana Paula Rafael, Maria de Jesus Serra Lopes e Marina Cruz: cinco matriarcas que gerem a família e os negócios.

São líderes fortes nos negócios e na família e nas suas histórias de vida há muito em comum: pertencem a clãs em que os homens morrem cedo, veem nas personalidades fortes dos avós uma referência e têm casamentos duradouros. Quase todas têm também os maridos, os filhos e os irmãos a trabalhar com elas nas empresas de sucesso que criaram.

 

LEONOR FREITAS
«NA QUINTA GERAÇÃO TAMBÉM SERÁ UMA MULHER A COMANDAR»

Com apenas 38 anos e quatro filhos, a sua avó Germana ficou viúva e teve de tratar sozinha da família e da casa agrícola. Já antes, a sua bisavó Deonilde tinha ficado a comandar os negócios depois da morte precoce do marido, tendo sido ela quem, em 1920, criou a empresa de produção de vinho. «As mulheres tiveram sempre um papel importante na minha família, até porque a linha masculina morreu sempre cedo», diz Leonor Freitas (na fotografia de abertura), de 63 anos, que agora tem tudo nas suas mãos. É ela a matriarca.

Lidera um império vitivinícola centrado na Casa Ermelinda Freitas, em Fernando Pó, e à sua volta agrega a descendência. O marido, reformado da Portucel, dá uma ajuda na empresa, onde trabalham já os dois filhos. João, o mais velho, 37 anos, trata da parte informática. Joana, 31, está na gestão do mercado exterior.

«Na quinta geração já se está a ver que será de novo uma mulher a comandar», calcula Leonor, que começou a dirigir as vinhas depois de o pai morrer em 1991. «Foi o homem que mais tempo liderou o negócio familiar, mas também morreu cedo e para ajudar a minha mãe regressei. Vim por amor», recorda Leonor, que vivia longe da localidade rural há vários anos.

Fora ali, em Fernando Pó, rodeada de vinhas e em plena noite de véspera de Natal, que nasceu num quarto da casa de família, em 1952. «Passei naquele lugarejo a minha infância até aos 10 anos», conta. Depois foi para um colégio em Setúbal, e estabeleceu-se na cidade: casou em 1975, um ano depois concluiu a sua licenciatura em Serviço Social e em 1979 teve o primeiro filho.

Quando regressou, após a morte do pai, trabalhava como técnica superior do serviço social da Administração Regional de Saúde (ARS) em Setúbal. Durante alguns anos ainda manteve os dois empregos e todos os dias percorria 50 quilómetros para ir e vir «De manhã trabalhava na Casa Ermelinda, depois ia para a ARS em Setúbal e ao final da tarde voltava.» Foi durante esse período que, pela primeira vez, em 1997, venderam o tinto Terra do Pó já engarrafado. Até então, o vinho era apenas comercializado a granel.

Em 2004, Leonor deixou definitivamente o Ministério da Saúde e passou a dedicar-se em exclusivo à Casa Ermelinda: arranjou um enólogo para a empresa, Jaime Quendera, modernizou a adega, aumentou os 64 hectares de vinha que herdou quando ali chegou para 440 e passou de apenas duas castas (Castelão e Fernando Pires) para 29.

Ao longo dos anos tem recebido vários prémios, sendo a criadora dos melhores vinhos da região e do mundo, como o Syrah que em 2008 foi considerado o mais saboroso tinto do planeta. Ao todo, a empresa acumula já 600 distinções.

Sabe que tem uma imagem forte na família e que é uma mulher de regras, mas também afetiva. Para o seu sucesso e as medalhas que recebeu (como a comenda da Ordem do Mérito Agrícola, Comercial e Industrial, atribuída por Cavaco Silva, em 2009) garante, foi determinante o apoio do marido e a herança deixada pelas matriarcas anteriores, como a sua avô Germana. Esta ainda colocou a adega sob controlo do filho Manuel João (marido de Ermelinda e pai de Leonor), mas tal como sucedeu com o pai, teve uma morte prematura e o negócio regressou de novo a mãos femininas.

 

Ana Paula Rafael

Ana Paula Rafael desde miúda que revelava talento para a liderança.


ANA PAULA RAFAEL

«DIVIRTO-ME A TRABALHAR»
Quando, em criança, acabava as aulas costumava ir brincar para a alfaiataria do avô, José Marques Rafael, durante muitos anos a maior de Alcains, a zona do interior onde vivia toda a família. Foi ali que o seu pai Hélder começou a trabalhar aos 13 anos e onde se apaixonou pela sua mãe.

«Os meus pais conheceram-se na alfaiataria do meu avô e acabaram por casar e ter quatro filhos», conta Ana Paula, a mais velha e a única rapariga. Por ser a primogénita e possuir, ainda por cima, um feitio «afirmativo» acabou por ter tendência para liderar.

«A minha mãe diz muitas vezes que eu gostava de tomar conta dos meus irmãos.» Ao mesmo tempo, ia revelando jeito para dirigir os negócios da família, que se centravam na Dielmar, uma alfaiataria tradicional. Aos 14 anos, já era ela quem colocava as etiquetas de produção nas peças e aos 16 começou a insistir com o pai e o tio, dois dos donos da fábrica, para que transformassem a Dielmar numa empresa internacional e numa «marca forte». Mas para eles, a alfaiataria – que criaram com mais dois alfaiates em 1965 e cujo nome resultou das iniciais dos quatro: Dias, Hélder, Mateus e Ramiro – estava a correr bem assim.

Aos 17 anos, Ana Paula veio para Lisboa. Viveu num lar de freiras, tirou o curso de Direito na Universidade Católica, casou-se e teve duas filhas. Ainda iniciou a carreira de advogada na capital, mas em 1989 regressou com a família para o interior.

Envolveu-se com o marido no mundo dos negócios e abriu sete lojas em Castelo Branco, entre elas uma pré-natal, uma loja de brinquedos e papelarias. Enquanto isso, mantinha a sua atividade de advogada, trabalhava para a Associação Empresarial da Região de Castelo Branco e, recorda, «tomava conta da família». Na retaguarda a ajudá-la estavam sempre a mãe e o marido.

Aos 47 anos, em 2008, tornou-se definitivamente a líder da Dielmar, onde já tinha trabalhado entre 1999 e 2002, e da qual se afastou por divergências quanto à estratégia. Com o irmão Luís Filipe gere hoje a empresa, que tem mais de 400 trabalhadores e é alfaiate oficial da seleção nacional de futebol e também do Benfica.

A empresária, que ganhou o prémio Mulher de Negócios do Ano atribuído pela revista Máxima e que foi condecorada pelo ex-presidente da República, em 2015, trabalha horas a fio, de manhã à noite.
«Gosto muito de trabalhar. Divirto-me», explica, acrescentando que lhe dá prazer «ajudar as pessoas a serem boas profissionais». Admite que tem uma personalidade forte na profissão e é «exigente como mãe», mas garante que também tem «capacidade de dar».

É uma líder assumida e tem planos bem definidos para a empresa: continuar a internacionalização e apostar na reestruturação e nas novas tecnologias. Ao mesmo tempo, vai preparando a chegada da terceira geração.

As filhas, Joana e Patrícia, têm já relações próximas com o negócio. «Uma é arquiteta e foi responsável pelo projeto de remodelação da loja da Dielmar nas Amoreiras e a outra, que trabalha na EDP, dá apoio, sempre que é preciso, na nossa área de marketing», diz a administradora.

Aos 55 anos, Ana Paula Rafael conta que teve uma «vida conturbada», referindo-se em especial a dois momentos: o acidente que sofreu com 14 anos na escola provocando um grave problema no olho por ter apanhado com estilhaços de vidro, o que a obrigou a suspender a vida por dois anos para passar os dias nos hospitais; e a morte prematura do marido, em 2010. «Mas não sou de me lamentar», diz Ana Paula, que hoje ainda tem mais certezas de que na sua vida «a família e a empresa estão em primeiro lugar».

 

Justa Nobre

Justa Nobre construiu um império, com a ajuda do marido. E trouxe a família de Macedo de Cavaleiros para trabalhar com ela.

 

JUSTA NOBRE
«SOU MANDONA MAS PREOCUPADA COM O LADO PESSOAL»

Todos os anos, na véspera de Natal, os cinco irmãos que vivem em Lisboa juntam-se com os seus filhos e netos em casa de Justa Nobre. Não é a mais velha do clã, mas é à sua volta que tem decorrido grande parte da história e da vida dos que ali estão sentados naquela noite. É ela o motor do negócio que nos últimos anos a levou a chefiar vários restaurantes, onde têm trabalhado quase todos os familiares.

O filho, o marido, os irmãos e irmãs, os cunhados e até primas têm passado pelos seus estabelecimentos de restauração. Ela é a chefe, todos sabem. «Sou dura e mandona por natureza, mas estou também sempre preocupada com o lado pessoal», diz Justa, acrescentando: «Não quero que a minha família tenha dificuldades.» Por isso, admite, nunca recusou o papel de matriarca. «Sinto-me um bocado como a mãe de muitos deles», diz, lembrando que foi ela quem, por exemplo, deu o primeiro emprego a alguns quando regressaram da aldeia onde viviam, em Macedo de Cavaleiros.

Dos sete irmãos, só um ficou na terra e outro está no Porto. Os restantes vivem na capital sempre em redor de Justa. Hoje em dia, porém, já são todos «os pilares uns dos outros», garante. A irmã Guida é a responsável pela pastelaria dos restaurantes e a irmã Ana o braço direito da chef Justa, que é atualmente dona de uma importante rede de negócios. Além de restaurantes, publicou um livro de receitas, lançou uma gama de produtos gourmet e criou para um grupo empresarial o conceito Bitoque no Ponto – espaços de restauração nos centros comerciais.

«Sei que tenho uma imagem forte», diz, garantindo que na retaguarda está sempre o marido, de quem herdou o apelido. «Tenho a certeza de que não haveria Justa sem Nobre, nem Nobre sem Justa.» Conheceram-se e começaram a namorar no dia em que a futura chef festejou 18 anos e 15 meses depois casaram-se.

Justa estava a viver em Lisboa desde os 15, altura em que deixou Vale de Prados, em Macedo de Cavaleiros, onde nasceu em 1957. Trabalhou numa tipografia e ainda esteve um tempo num tasco que a irmã Guida teve perto do Largo do Caldas. Mas aos 21 anos surgiu uma proposta inesperada: um empresário soube do talento culinário de Justa e convidou o jovem casal para um novo projeto de hotelaria. A 14 de agosto de 1978 o espaço foi inaugurado e Justa tornou-se a chefe de cozinha e o seu marido José o chefe de sala do badalado Restaurante 33, na Rua Alexandre Herculano.

Ao fim de oito anos, saíram para criar um negócio próprio. Ainda passaram pelo Iate Ben, em Carcavelos, mas logo em 1988 abriram o Constituinte, na Rua de São Bento, e em 1990 o Nobre, na Ajuda. O sucesso levou-os a apostar em mais cinco restaurantes, dois na Expo, mas a sociedade que entretanto criaram com umas pessoas que conheceram foi um desastre. «Perdemos tudo.» Em 2003, ficaram sem nada.

Cinco anos depois, Justa regressou com o Restaurante Nobre junto ao Campo Pequeno e em 2014 lançou o Nobre no Estoril, gerido pelo o seu filho Filipe e o cunhado Paulo. Nunca parou de cozinhar. Desde os 9 anos que se lembra de fazer cozinhados, em especial frango e sopa. Na liderança da cozinha e dos que a rodeiam inspira-se muito na mãe, na avó e na tia. Mas a sua maior referência é a avó Bárbara. «Era muito pequenina, mas uma mulher de armas. Uma mão de ferro.» Hoje também Justa tem três netos – Mariana, Gabriel e Mónica – a quem já ensina a cozinhar para tentar garantir que a tradição se mantém na família.

 

Maria de Jesus Serra Lopes

Maria de Jesus Serra Lopes foi a primeira mulher bastonária da Ordem dos Advogados.


MARIA DE JESUS SERRA LOPES

«QUEM É QUE DISSE QUE OS HOMENS É QUE MANDAM?»

Meteu-se no avião com os dois filhos, de 13 e 15 anos, e voou para o Brasil, onde o marido estava há algum tempo a trabalhar como advogado. Em Lisboa, deixou uma carreira de vinte anos na Companhia de Seguros Império e o cargo de diretora de contencioso. Mas o desejo de manter a família unida e o receio da nacionalização das seguradoras que se adivinhava no pós-25 Abril em Portugal empurraram-na para o Rio de Janeiro, naquele mês de julho de 1976.

«Ia de férias mas, quando desci do avião, disse logo ao meu marido: “Já não volto”.» Andou a pé quilómetros pela cidade à procura do apartamento ideal para a família, que viveu os primeiros meses num hotel. Depois de instalados, voltou a apostar na carreira. Em pouco tempo, tornou-se responsável jurídica da Sul América, a maior seguradora brasileira. Tinha 43 anos.

Maria de Jesus Serra Lopes regressou a Portugal três anos depois e tornou-se, em 1990, a primeira mulher do país a assumir o cargo de bastonária da Ordem dos Advogados. Enquanto isso, foi reunindo sempre à sua volta a família: marido, filhos e mais tarde os sete netos. «Sei que todos gostam muito de mim». Quando concorreu à Ordem juntou a família para saber a opinião deles e os alertar para a falta de tempo que teria. «Disseram-me para avançar.»

Em alturas como essa, lembra-se da mãe, Idalina, que com a morte prematura do marido, aos 40 anos, ficou sozinha com quatro filhos. «Teve de começar a trabalhar como modista para nos criar», lembra.
Maria de Jesus nasceu em Lisboa em 1933, três meses depois de ser aprovada a Constituição onde era definida a igualdade dos cidadãos perante a lei, mas com exceções para as mulheres. Foi exatamente a pouca voz que era dada ao sexo feminino que a fez escolher a carreira de advogada.

«A primeira vez que votei tive de apresentar o diploma do 7º ano. E para poder viajar precisava de autorização do meu marido para ter o passaporte», recorda. Licenciou-se em Direito em 1957 e inscreveu-se na Ordem em 1959. Foi a primeira advogada na seguradora Império, a primeira bastonária e também, entre 1996 e 2005, a primeira mulher conselheira de Estado.

Pelo meio, conheceu António Serra Lopes na universidade e casou-se em 1960. Um ano depois teve o primeiro filho, Paulo, e em 1963 nasceu Inês. Quando foi avó, passou a reservar alguns dias para promover um jantar de netos.

Muitas vezes teve de trabalhar de manhã à noite, mas a mãe e a sogra sempre a ajudaram. Isto sem contar com o apoio do marido, que a acompanha há mais de 56 anos. Logo no início do casamento abriram um pequeno escritório juntos na Rua da Prata, em Lisboa. «Quando eu recebia um cliente, o meu marido tinha de sair e vice-versa.» Mudaram para a Joaquim António de Aguiar, onde dividiram a renda com outros colegas e mais tarde fundaram uma sociedade que hoje se chama SLCM.

Quando se atravessa o corredor do escritório situado no 12º andar, e se entra no seu gabinete, percebe-se que pertence a uma mulher com uma longa e reconhecida vida profissional – há imensas distinções, expostas de forma discreta – e sente-se o ambiente familiar. Em cima da pequena mesa redonda está um livro que vai oferecer a um dos netos.

Aos 83 anos, Maria de Jesus tem uma certeza: os direitos conquistam-se, é preciso lutar por aquilo que se quer. E remata: «Quem é que disse que os homens é que mandam? Onde é que isso está escrito?»

 

Marina Cruz

Marina Cruz trabalha desde os 12 anos e chegou a ter sete cabeleireiros e várias perfumarias pelo país.

 

MARINA CRUZ
«TOMEI CONTA DOS MEUS IRMÃOS»

Tinha 12 anos quando arranjou o primeiro trabalho como aprendiz num cabeleireiro, perto da Praça de Chile, em Lisboa. Aos 15 foi trabalhar para um instituto de beleza, na Rua Sidónio Pais, onde começou a cortar cabelos, e quando fez 18 chegou o convite para ser uma das cabeleireiras de um novo estabelecimento em Lisboa, O Baeta, no Centro Comercial Alvalade, onde teve como colega António Variações.

Foi com a mesma velocidade que Marina Cruz deu início à vida familiar. Filha de um casal de alentejanos, veio para Lisboa quando tinha 6 anos, acompanhada pelos pais e irmãos. Ainda na adolescência apaixonou-se, e aos 14 anos ficou grávida do namorado, tendo casado pela igreja com 15.

Hoje chefia um império de cinco cabeleireiros e é o centro de toda a família. Quatro das suas irmãs já trabalharam no seu negócio, no qual conta também com a colaboração, na parte administrativa, de um dos filhos, o Ricardo, e do marido – já perdeu a conta aos anos de casamento.

A sua carreira empresarial começou em 1980, quando abriu um enorme salão com mais de 300 metros quadrados na Avenida Miguel Bombarda, em Lisboa. «Conseguiu ter o que se chama neste negócio uma grande cadeira (bons clientes) e com o apoio do meu marido tive coragem para abrir um primeiro salão tão grande», recorda Marina. A partir daí não parou.

«Cheguei a ter sete cabeleireiros e várias perfumarias pelo país», recorda, explicando que abdicou do negócio de cosméticos por ter recebido uma boa proposta.

Apesar da vida profissional intensa, tem sido a figura de referência na família. Está habituada a ser a mãe de todos, ou quase todos.

Aos 22 anos perdeu o filho mais velho, quando ele tinha 8 anos. E depois de alguma dificuldade em engravidar de novo decidiu adotar duas crianças; o Ricardo e a Filipa, Hoje ele tem 31 e ela 30 anos. Pelo meio, foi mãe dos seus irmãos.

«O meu pai morreu muito cedo, aos 47 anos, e eu, que era a segunda mais velha, acabei por tomar conta deles.» Nessa altura a irmã mais nova, de 24 meses, foi logo viver com Marina e algum tempo depois, quando a mãe também faleceu, recebeu em sua casa outra irmã, na época com 12 anos.

Inspira-se muitas vezes na forma de ser da avó, uma enfermeira-parteira que ficou viúva aos 37 anos com três filhos. «Era uma líder e uma pessoa sempre bem-disposta». Marina começou a sua vida nos cabeleireiro há mais de quarenta anos. Sempre foi essa a profissão que quis. Quando era nova, uma tia costureira, Maria de Jesus, ainda tentou levá-la para esse caminho. Mas ela resistiu. E em pouco tempo mudou de vida e de nome. Na realidade chama-se Maria de Aires, mas a sua primeira patroa naquele cabeleireiro da Praça do Chile achou o nome complicado e sugeriu que ela passasse a ser Marina.