OPINIÃO

Um minuto e 40 segundos que podem mudar a vida

O tempo dedicado ao exercício físico não é tudo.

É essencial quebrar o ciclo de imobilidade a que sujeitamos o corpo.

Desde a década de 1950 aumentou muito o tempo que dedicamos a atividades sedentárias: trabalhamos mais tempo sentados a uma secretária, vemos mais televisão sentados no sofá. Aqueles que conseguem, vão ao ginásio, para combater o sedentarismo e as nove, dez, onze horas que passamos sentados. Mas será que chega? E que tal se ao longo do dia nos levantássemos mais vezes para fazer um pouco de exercício, não deixando o corpo acumular horas seguidas de inatividade?

Um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition demonstra que esta pode ser uma opção que faz muito sentido como adjuvante do exercício que já faz (ou devia fazer): os conhecidos 150 minutos por semana, no mínimo, de atividade física intensa a moderada que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda para adultos. Um minuto e 40 segundos de atividade física a cada meia hora. Parece pouco, mas os investigadores da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, defendem que pode fazer a diferença e trazer benefícios para a saúde.

O objetivo deste estudo foi comparar os efeitos sobre glicemia, insulinémia e lipidémia pós-prandiais de três comportamentos diferentes: um comportamento sedentário prolongado de nove horas; a realização de atividade física durante trinta minutos, seguida de comportamento sedentário; e pausas regulares, com atividade física de 1 minuto e 40 segundos a cada meia hora de comportamento sedentário. Resultado: estes últimos apresentaram níveis mais baixos de açúcar e insulina pós-prandial (após refeições) no sangue. Valores que, quando elevados, são sinais de aviso para a diabetes tipo dois e um fator de risco para doenças cerebrovasculares.

Redação
Fotografia Corbis e Shutterstock