OPINIÃO

«Sou obcecado com o trabalho»

A dias da estreia de Cadências Obstinadas, de Fanny Ardant, grande entrevista com Nuno Lopes.

Aos 35 anos, Nuno Lopes chega ao estatuto internacional. A poucos dias da estreia de Cadências Obstinadas, de Fanny Ardant, com Gérard Depardieu e Asia Argento, o ator fala dos vinte anos de carreira, da importância da televisão, de como continua a acreditar no mercado nacional, da obsessão com o método de trabalho que o leva a mergulhar nas personagens. E tudo isto sem esquecer a sua segunda ocupação – que leva bastante a sério – como disc-jockey.

O filme Cadências Obstinadas estreia esta quinta-feira. Rodou-o ao lado do Gérard Depardieu, Asia Argento e Franco Nero. Foi dirigi­do por Fanny Ardant. Dá por si a pensar que já conseguiu contracenar com alguns dos seus heróis?
_É claro que é diferente estar na noite anterior a pensar que vai filmar com atores que admira desde pequeno. Mas depois che­ga ao local de filmagem e o nervosismo dura dez minutos. A partir do primeiro take somos dois atores normais. Foi o que me aconte­ceu com Depardieu, que era um ídolo. Foi extraordinário perceber que mal ouve a palavra «ação» ele transforma-se! É inacreditável e é mesmo bom contracenar com ele. O Gérard reagia ao que eu fa­zia, olhava para mim. No caso da Asia, também sempre a admirei, só não a achava uma sex-symbol, ao contrário dos meus amigos. Para mim, foi muito fácil trabalhar com ela. Ao fim do primeiro dia já éramos amigos e falávamos de música eletrónica, pois ela tam­bém é disc-jockey.

Já alguma vez contracenou com uma atriz por quem antes tenha tido uma atração física?
_Sim! No Brasil contracenei com atrizes que via nas novelas desde miúdo e que achava atraentes. Mas quando chega o momento de rodar tudo muda. O que interessa é a cena e deixo de estar focado na beleza. Temos de estar focados em contar uma história. Se estiver­mos focados noutra coisa as coisas não resultam.

Neste filme há um lado de brutalidade masculina muito trabalhado – o que é raro no cinema contemporâneo. Isso tem que ver com a de­licadeza da realizadora, neste caso uma atriz?
_É justamente por ter sido uma mulher a dirigir-me que fui para aquela brutidão. Foi ela que me levou para esse caminho de dureza. Quando li o guião pensei representar aquele homem de uma outra forma… O filme tem um ponto de vista feminino muito forte. A Fanny diz constantemente que não é autobiográfico, mas acho que há ali uma parte que é muitíssimo. E não sou o único a dizer, o Franco Nero já o disse publicamente.

Pensa que estamos no dealbar de uma nova fase de internacionali­zação dos atores portugueses? O Ivo Canelas tem pronto Road 47, coprodução entre Portugal, Brasil e Itália, e o Diogo Morgado é a es­trela de Filho de Deus, a versão para cinema da série A Bíblia
_Felizmente em Portugal há talento suficiente para ser exportável. Lembro-me de estar na estreia de Linhas de Wellington em Paris e de todos os atores franceses virem ter comigo a interrogar-se como era possível haver tantos grandes atores portugueses! Na minha geração, e na que veio a seguir, há uma série de atores que podem vir a ser estrelas de cinema internacional. É apenas uma questão de oportunidade.

Além de Cadências Obstinadas, foi protagonista em Operation Libertad [2012, de Nicolas Wadimoff], coprodução franco-suíça, e acabámos de o ver na série internacional A Odisseia de Homero. Essa internacionalização aparece como uma vontade sua, como um desígnio natural?
_A verdade é que me apetece fazer cinema e em Portugal era im­possível. Tive de ir lá para fora! Durante dois anos tive dois proje­tos parados. Vamos ver se este ano avançam…

Mas o seu nome já aparece nos pósteres de filmes. Em Operation Libertad está no póster e faz de revolucionário português. O mercado europeu já o reconhece… O Nuno tem uma agente em Paris…
_Reconheço que o meu nome começa a ser visível. Começo a ter reuniões em França e as coisas surgem. Vou fazer em breve um filme em França em que faço de português… Sim, quero continuar a trabalhar em projetos que me interessem. Mas já me apareceram projetos es­trangeiros que não me interessavam e não fiz. Não tenho um dese­jo de ser ator internacional só para dizer que estou a fazer cinema lá fora. Até digo que prefiro filmar cá, projetos na minha língua, apesar de me safar bem em inglês e francês. Qualquer ator prefere re­presentar na sua língua mãe. Nem imaginam a pena que tenho de as pessoas não terem visto cá o Operation Libertad. A minha perso­nagem é portuguesa, tem que ver com a nossa revolução e poderia perfeitamente ser exibido cá. No outro dia, falava com Maria de Medeiros, e ela diziam-me que os seus melhores trabalhos nun­ca passavam em Portugal. E a verdade é que começo a ter uma car­reira paralela em França, mesmo sendo o francês a minha terceira língua. Lá fora as pessoas ficam sempre superentusiasmadas quan­do percebem que os atores portugueses conseguem falar muitas línguas. Isso tem que ver com a complexidade da nossa língua, com a nossa abertura a tudo o que vem de fora e, claro, a não dobrarmos os filmes.

O sucesso de A Gaiola Dourada no mercado europeu abre portas a atores portugueses? Joaquim de Almeida já foi novamente convida­do para voltar ao cinema francês…
_Isso de sermos atores internacionais é uma questão de produção. A nossa vantagem é que falamos uma série de línguas. Por acaso não vi A Gaiola Dourada, mas não deixa de ser importante a Rita Blanco e o Joaquim de Almeida fazerem filmes lá fora. Começamos a deixar raízes e esse sucesso vai abrir-nos muitas portas.

No Brasil foi estrela de uma novela de horário nobre: Esperança [2002]. Mas a fama foi tanta que acabou por voltar. Agora era capaz de regressar ao Brasil para fazer cinema?
_Sim, para o cinema, sim. Apetecia-me. Aliás, apetece-me filmar em qualquer parte do mundo. Mas a experiência do Brasil quase me fez desistir. A sério. Quando acabei a novela percebi que a experiência da fama foi muito forte. A fama no Brasil não é como em Portugal. Levei com aquilo tudo em cima. De repente, seres o herói da novela das 20h00 no Brasil é equivalente a seres da família real britânica. Fui tratado como realeza e era impossível fazer o que quer que seja. Dei­xei de ter prazer em representar e cheguei a pensar que, se a minha profissão iria ser assim, o melhor seria deixar de representar.

Era capaz de mudar a sua vida caso tivesse trabalho no estrangeiro?
_Vou para onde as coisas acontecerem. Para um ator sem filhos, como eu, é mais fácil. E estar sempre com a mala pronta para sair é muito duro. Esta profissão é muito dura! Quando tiver filhos claro que vou ter de começar a decidir… Neste momento não tenho e es­tou uma fase da minha vida em que posso fazer estas escolhas. Quando fui com 22 anos estudar para os EUA foi também para per­ceber o que queria fazer – se ficar por lá e estar à luta, ou voltar e fa­zer o que mais gosto. A minha escolha foi fazer as coisas que eu gos­to. Na altura, as coisas de que gostava aconteciam em Portugal. Se pensarmos bem, as pessoas que tiverem sucesso internacional em cinema foi sempre devido a um sucesso local e só depois foram cha­madas… Todos vêm de uma consagração nos seus países. Todos, da Penélope Cruz ao Banderas. E se agora estou a trabalhar lá fora é por causa de Alice e de As Linhas de Wellington. A minha utopia não é ser um ator internacional nem trabalhar com os Scorseses, Gus van Sants e os maiores, apesar de se isso acontecesse ser incrível. Não, o que quero é fazer bons filmes, seja com cineastas consagra­dos ou estreantes. Não vou nunca abandonar esse rumo.

O Nuno tem agora 35 anos. Acredita que esta é a idade do topo de gama de um ator? Há alguma idade para se ter aquela alavanca em que tudo muda?
_Não há idades certas aqui. Mas há um momento certo no nosso per­curso em que se dá um clique. Às vezes, esse clique é pessoal, é do ator e passa a representar de uma outra forma. Noutras, é o destino, foi descoberto. Por exemplo, o Anthony Hopkins sempre foi bom, mas à escala global só foi reconhecido depois de O Silêncio dos Inocentes.

Ultimamente em Hollywood temos visto atores a ganhar e a perder peso de forma bem visível. O público e a Academia parecem adorar. Será uma tendência?
_Acho um disparate quando as pessoas ficam radiantes quando um ator emagrece vinte quilos para um papel. É que se ele faz is­so mas depois não serve a história, então… um ator tem é de ser­vir a história e uma visão. Mas muitas vezes o que vemos é o ego do ator a impor-se para mostrar «olha que diferente que eu consigo ser». Aí acho mal. O público nem sempre percebe quando é a vaidade de um ator a falar.

Fez recentemente um workshop sobre técnicas de análise e abor­dagem à linguagem de Shakespeare. Parece querer estar sempre a aprender. O que é que alguém com a sua experiência aprende na prática num desses workshops?
_Tem de se estar sempre a aprender. Os workshops que faço são de técnicas que não domino. Um ator tem de se pôr em causa. Para mim não faz sentido aceitar uma personagem que não me ponha em causa.

Não tem escondido que é um ator de trabalho, alguém que pode ficar obcecado por um papel… Ainda é assim?
_Sim, sou obcecado com trabalho. É a minha maneira de fazer… é a única forma de saber ser ator. Admiro imenso aqueles atores que quase não se preparam, chegam e conseguem fazer de forma per­feita. Sem a pesquisa, sem o tempo de preparação, vou para cena e não me sinto honesto com a personagem e com o projeto.

Qual foi a última coisa realmente extrema que fez para uma personagem?
_Foi neste filme, Cadências Obstinadas. Como a personagem fu­ma, estive seis meses a fumar para ficar bem preparado. E eu não fumo… Mas era tabaco sem nicotina. Fiquei com o vício de mão… Mas não sou um ator do Método do Stanislavski, não uso as minhas experiências pessoais na personagem. Em cinema, o meu método pessoal muda muito, penso que é algo que o cineasta João Canijo chama de contágio. Por exemplo, para o próximo filme do Marco Martins interpreto um pugilista. Por isso, há dois anos fui treinar boxe. Agora, já sei como eles falam. O contágio é esse: conhecer ao máximo a vida da personagem e o seu ambiente.

Muitos atores não gostam nada da palavra «evolução». No seu caso, pensa que agora é melhor ator? Sente que evoluiu?
_Claro que um ator evolui! Cada vez tenho mais ferramentas que me ajudam a trabalhar. A vantagem de ser ator é que não há nada que não nos sirva. Um dia, se ficar sem trabalho pos­so se calhar servir à mesa, porque já servi à mesa num papel. Aci­ma de tudo, esta é uma profissão generosa. Porquê? Porque es­tamos a servir palavras e ideias que não são nossas. E é também uma profissão muito pouco preconceituosa, pois estamos per­manentemente a tentar pôr-nos no lugar do outro e a aceitar o seu ponto de vista. Humanamente, aprendi a não criticar as pes­soas diferentes de nós. Já passei por muitas cabeças que nada têm que ver connosco. Um ator não pode realmente ser precon­ceituoso. Se tivesse algum preconceito com dealers de droga não poderia ter feito Sangue do Meu Sangue.

Está a dizer que se tornou tolerante?
_Sim! Tento sempre saber como é que essa pessoa chegou àque­le estado. Não podemos julgar. Um ator só pode julgar quando faz comédia e aí trabalha por defeito.

Um ator pode ser «filho da mãe» para uma personagem de comédia?
_Sim, na comédia é suposto criticar. Quando estou a fazer comé­dia, como acontecia n’Os Contemporâneos, estava sempre atento na rua ao lado divertido das pessoas. Mesmo nas coisas mais trágicas tentava ver o lado cómico.

Era capaz de aceitar uma maluquice em cinema do tipo O Chato – O Filme? Isso não seria sair da sua zona de conforto? De alguma for­ma, essa foi uma das personagens de comédia que mais visibilidade lhe deu junto do grande público.
_Não, era capaz de aceitar fazer uma comédia, mas sem o Cha­to. Sabe, fui muitas vezes convidado para fazer publicidade com o Chato e recusei. Criei o Chato para Os Contemporâneos e para aque­le projeto. Acho que as personagens não devem sair de onde foram criadas. Não conheço muitos projetos de spin-off que tenham sido bem-sucedidos.

Por falar nisso, fica muito constrangido quando descobrimos que a sua voz está muito presente na publicidade?
_A publicidade é muito, muito importante. Infelizmente, só as lo­cuções de voz é que me permitem escolher os meus trabalhos. Cha­mam-me muito por conseguir criar personagens. Mas não há que ter vergonha. Além do mais, não faço publicidade com a minha imagem.

Mas não tem medo de que de repente uma pessoa esteja a ver um fil­me consigo e associe a sua voz àquele anúncio em específico?
_Claro que tenho, mas é através da publicidade que sobrevivo sem ter de fazer, por exemplo, novela… Apesar de me divertir muito, ninguém faz publicidade por prazer. Foi muito difícil entrar nes­te meio. A primeira publicidade correu bem e a partir daí surgiram muitos convites…

Voltando à questão da comédia: não considera que o cinema portu­guês precisa de que se revitalize esse? Lembro que A Gaiola Dourada foi um fenómeno e não era cinema português…
_Claro, faz falta. Faz-nos falta filmes do meio, filmes que não sigam nem a vertente comercialóide nem o lado experimental radical.

Não acha estranho que a Maria Rueff, que por acaso o lançou na te­levisão em O Programa da Maria, não tenha direito a um bom veículo assente nas suas caraterísticas humorísticas?
_Sim, mas volto a dizer: fazem-nos falta mais filmes do meio. Ajudava imenso a vitalidade do nosso cinema. E o chamado filme de arte não seria prejudicado.

Qual a importância de a Maria Rueff o ter lançado a sério na televisão?
_Fiz um episódio na sitcom da Ana Bola, Senhora Mi­nistra. Mas era uma coisa muito pequena. Curiosamente, a primei­ra pessoa que me pôs a fazer comédia foi o encenador António Pires. Mas a Maria viu-me num casting e fui escolhido para O Programa da Maria. Foi ela que me expôs na comédia em televisão!

Deve ser especial ter sido padrinho de cena de um jovem ator…
_Já me aconteceu. É superfixe! Aprende-se imenso com malta jo­vem. Há logo um outro ponto de vista. As pessoas hoje pensam de maneira diferente. Vem aí uma nova leva de grandes atores. Tive a sorte de recentemente ter trabalhado com os alunos da ESMAE [Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo] e da ACT [Escola de Actores] e posso dizer que tanto uns como os outros têm imenso talento. No outro dia, vi a peça Punk Rock, dos Artistas Unidos, e en­contrei jovens atores de 20 anos com imenso talento. Como quero começar a encenar, acho importante não cair naquele erro crasso de muitos encenadores e realizadores que não conhecem os novos atores. Ando a ver muita malta jovem e estou atento aos que estão no Con­servatório.

Quando vai ser esse seu primeiro projeto teatral como encenador?
_Este ano já não consigo, vai ter de ser para 2015.

Diz-se muito que os atores nunca sabem como vai ser a sua vida num futuro imediato, mas o Nuno tem uma agenda sempre carregada. Sei que nem conseguiu arranjar tempo para ser protagonista no novo filme escrito por Nuno Markl…
_Não há tempo para tudo. Há um planeamento das coisas, mas é sempre muito subjetivo. Se a vida me correr muito bem faço três fil­mes neste ano, mas também posso não fazer nenhum. As datas po­dem coincidir com os atrasos. O cinema tem o problema das mu­danças de data: dizem-te que vais filmar em agosto e depois pas­sa para novembro e ficas três meses sem trabalhar. Volto a dizer, é uma profissão muito dura.

Até que ponto se leva a sério como DJ? Sem ser a sua ocupação prin­cipal já atuou no estrangeiro e nos principais festivais de verão em Portugal…
_Não é brincadeira nenhuma. É algo que me diverte muito, que me dá um extraordinário prazer. E também recebo dinheiro, mas des­se dinheiro acabo por gastar mais em compra de música. A verdade é que funciona como se fosse uma segunda profissão – levo muito a sério. Se fico uma semana sem tocar, começo logo a fazer telefo­nemas para perguntar onde posso ir tocar a seguir. Preciso de tocar.

Porquê?
_É uma relação com a música e sou muito obsessivo. Quando estou numa cabina consigo desligar da personagem pela qual estou obceca­do. Lá não penso em mais nada. Não tenho problemas. Ao passar mú­sica sinto-me bem! Estou ali eu, a música e as pessoas a dançar. E, tal como ator, sinto que ali tenho a responsabilidade de preencher o tem­po livre das pessoas, o seu quality time. Há uma relação de diálogo com o público, sente-se o público, tal como no teatro. E como na profissão de ator, também me preparo muito. Dá muito trabalho! Tento passar coi­sas novas. Normalmente, os meus sets nunca têm músicas com mais de dois, três meses… Neste momento, estou mais na eletrónica, numa fase mais tecno-house. Diverte-me seguir as tendências da música.

E aguenta bem o ritmo? Trabalhar à noite e de dia.
_A minha grande vantagem para aguentar sessões noturnas é que não bebo. Mas a nível de esforço físico pode ser duro. Já me aconte­ceu filmar, ir para o Porto tocar e regressar de direta para voltar a filmar. É que adoro mesmo. Aquilo é a minha «bebedeira»… Ser DJ é a saída do meu lado sério.

O começo de tudo isto foi quando encontrou, por acidente, em Ben­fica, um curso de teatro para jovens organizado pelo António Feio, certo? Nos seus tempos de liceu, em 1994.
_Sim. A minha irmã foi a uns workshops de dança num espaço da Junta de Freguesia de Benfica e eu fui acompanhá-la. E depois vi lá um espetáculo de jovens e gostei. Percebi que poderia interessar–me por aquilo e foi então que decidi fazer esse curso de iniciação para jovens, do António Feio. E, claro, a partir daí percebi que que­ria fazer o que outros jovens tinham feito. E o António achou que eu deveria apostar nesta arte. Claro que os meus pais apoiaram-me e tudo isso, mas ficaram um pouco apreensivos porque não existe mais nenhum artista na família e é uma profissão muito instável. Lembro que continuamos a não ter subsídio de desemprego, por exemplo, apesar de pagarmos os mesmos impostos…

Depois disso foi para o Conservatório. Acabou por nunca ter nenhum outro emprego…
_Sim, nunca! A minha primeira peça profissional foi logo na Cornucó­pia, Os Sete Infantes, com encenação do Luís Miguel Cintra. Ele precisa­va de jovens e foi buscá-los ao Conservatório. Eu fui um dos escolhidos.

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ALICE, «O MOMENTO CLIQUE»

O «momento clique» na carreira de Nuno Lopes ocorreu em Alice, de Marco Martins, inspirado em Rui Pedro, a criança de Lousada desaparecida em 1998. Um papel que lhe deu o Globo de Ouro e serviu de confirmação de um talento que era visível nos palcos e na televisão. «Quarenta por cento do filme viveu de improvisos. Aconteciam coisas do género: estávamos na rua, víamos um local e decidíamos filmar ali… sem saber bem o que fazer. Eu e o Marco reagíamos consoante o que o caminho pedia, consoante o que inventávamos, como aquela cena em que ele vai distribuir folhetos à porta do metro. Essa ideia surgiu para simbolizar o desespero de tentar encontrar mais um lugar para chegar às pessoas. A vantagem é que conhecia muito bem aquela personagem.» Alice foi também o começo de uma parceria com Marco Martins. Criaram com Gonçalo Waddington e Beatriz Batarda o coletivo Arena Ensemble e desde então têm trabalhado juntos, sobretudo em teatro (recentemente estrearam Como Queiram, com encenação de Beatriz Batarda, mas no currículo já estão espetáculos como Estaleiros ENVC, nos Estaleiros de Viana, ou Rosencrantz & Guildenstern Estão Mortos, ambos sob direção do próprio Marco Martins).