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Estaremos a expor demasiado as nossas crianças no Facebook?

Os pais sempre fizeram álbuns de fotografias das suas crianças para recordar mais tarde e para mostrar à família e amigos. Mas o papel passou a digital, os amigos extravasam o grupo restrito que ia a casa e as imagens íntimas acabam a correr mundo. Estaremos a expor demasiado as nossas crianças no Facebook?

A primeira muda de fralda, o sono na maternidade, o consolo do banho. A chegada a casa em triunfo (e com algum receio), os primeiros dentes, os primei­ros passos, as festas de aniversário. Não vai longe o tempo em que os pais acreditavam que um álbum de capa dura e folhas de seda, com um caracol de cabelo para tocarem mais tarde, seria útil aos filhos quando qui­sessem desatar os nós da infância. Não se falava tanto em pedofi­lia, rapto, bullying, e uma fotografia dificilmente daria uma dor de cabeça para a vida inteira. Não vivíamos numa era de partilha ao minuto. E se a prática faz hoje as delícias dos amigos, que acompa­nham na rede as diabruras dos pequenos e as tramas familiares, por outro lado levanta uma questão com tantas respostas quantas as pessoas que discordam ou concordam com ela: estaremos a ex­por demasiado as nossas crianças no Facebook?

«Vivemos uma ditadura da maioria, em que é quase escandalo­so não partilhar a nossa vida e a dos nossos filhos nas redes sociais, e esquecemo-nos de que estas não são desprovidas de interesses comerciais», alerta Cristina Ponte, professora do departamento de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL). Quanto maior o número de pessoas identificadas na rede, maior é a possibi­lidade de se obter algoritmos que identifiquem perfis de consumi­dores. Ainda assim, as vantagens são inegáveis: fácil de usar e mais divertido do que o e-mail, o Facebook facilita contactos, aproxima amigos e permite que familiares queridos que vivem longe acom­panhem o crescimento dos pequenos (há outras redes sociais, co­mo o Twitter ou o Instagram, onde o fenómeno também se verifi­ca, mas o Facebook é, de longe, o caso mais flagrante).

O problema surge quando os pais postam todos os momentos, sem pensar que as imagens permanecem online e poderão reper­cutir-se nos mais novos. «As pessoas partilham uma foto e não lhes ocorre que tudo o que pomos na internet fica lá, sem termos forma de controlar se alguma vez será eliminado», explica Cristina Pon­te que, além de subdiretora adjunta na FCSH, coordena em Portu­gal o projeto EU Kids Online, responsável por ampliar o conheci­mento sobre usos, riscos e segurança na internet das crianças eu­ropeias. «É muito fácil alguém procurar conteúdos de terceiros na rede e é igualmente fácil disseminá-los. Inclusive fora de contex­to e para audiências que não os amigos a quem a fotografia se des­tinava. É um fenómeno muito novo, sobretudo para os utilizado­res mais velhos, que não cresceram nesta dinâmica. E apercebe­mo-nos de que a preocupação das crianças nas redes sociais não é o contacto com estranhos, mas o cyberbullying e a má imagem. Am­bos decorrentes, muitas vezes, de fotos que familiares publicaram sem supor que teriam esse efeito.»

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Inês Mestre, mãe de duas filhas de 4 e 6 anos, percebe bem quan­do a investigadora diz que é legítimo pensar do ponto de vista dos pequenos – será que irão gostar mais tarde? Será que ao crescerem com toda esta exposição vão saber lidar com isso? – antes de se pu­blicar uma imagem no Facebook. «Nós, os pais, enfrentamos desa­fios a um nível global, com a internet a permitir que a nossa vida e a das nossas crianças chegue a qualquer pessoa de qualquer parte do mundo, especialmente se formos nós a oferecê-la», diz a profes­sora de babyoga, que nem quando viveu dois anos nos EUA se sen­tiu tentada a carregar fotografias das meninas no Facebook. «Per­cebo que quem partilha tem as melhores intenções, sobretudo se se trata de imagens queridas dos filhos. Mas, infelizmente, nem to­das as pessoas são iguais.»

Inês não é contra o Facebook. Pelo contrário, acha-o «fantás­tico» para manter contacto com as pessoas, divulgar projetos, mensagens, conceitos e negócios, partilhar experiências e ter grupos de apoio. «Eu uso-o nessas vertentes todas», diz. Apenas não se serve dele para expor de forma pública a sua vida privada, o que inclui naturalmente as suas filhas. «Percebo que se quei­ra partilhar algumas ocasiões engraçadas com as pessoas próxi­mas: eu própria, quando estive fora, enviava fotos por e-mail para dividir esses momentos. Mas não entendo a necessidade de gri­tar ao mundo tudo o que fazemos. E alguns familiares e amigos já puseram fotos das minhas filhas no Facebook, mas retiraram–nas depois de eu ter pedido.»

Manuel Costa Henriques, consultor de hotelaria e pai de uma menina de 6 anos, também prefere recorrer ao e-mail para enviar instantes íntimos à família e aos amigos chegados. «Há quem diga que sou paranoico por não pôr fotografias do rosto da minha filha nas redes sociais, admito. Mas quando leio notícias do aumento de raptos de crianças e da existência de pedófilos online a colecionar imagens, penso: “Alguma vez ia arriscar, nem que fosse apenas 0,01 por cento de hipóteses, de deixar acontecer algum mal ao mais im­portante da minha vida por andar aí a revelar-lhe cara e detalhes da vida?” É dever dos pais protegerem os filhos e, ao colocarmos fo­tografias deles na internet, estamos a expô-los a perigos que mui­tas vezes nem imaginamos», justifica.

Manuel também é sensível à noção de que os mais novos têm di­reito à sua privacidade e vão crescer, arriscando-se a querer apa­gar imagens que ficam para sempre na internet. «Tudo o que colo­co nas redes sociais é público, porque efetivamente tudo o que ali publicamos passa a pertencer à rede social e, em última análise, ao acesso público. Muitas pessoas pensam que colocando fotografias privadas só as vê quem elas quiserem, mas basta alguém partilhá-las ou “gostar” para irem parar onde não era suposto. Se lerem bem as políticas de privacidade do Facebook, vão perceber que nada ali é cem por cento privado e eles assumem isso.»

Sara Pereira, Luís Pereira e Manuel Pinto são investigadores do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universida­de do Minho. No booklet Internet e redes sociais: tudo o que vem à rede é peixe?, que elaboraram, os autores sublinham a necessidade de os internautas perceberem que as informações publicadas podem ser lidas ao minuto por um público extenso e permanecem disponíveis na rede mesmo depois de removidas por quem as carregou, razão pela qual toda a gente deve ter o cuidado para nunca comprome­ter a privacidade de outros. Um estudo recente da AVG, uma em­presa de programas de segurança online sediada na Holanda, re­velou ainda que pais, tios e avós publicam imagens dos seus bebés, fazendo que 82 por cento das crianças tenham fotografias suas na internet antes de completarem 2 anos. Mais: são os pais quem reve­la maior quantidade de dados pessoais dos filhos, mediante parti­lha de fotografias e outros conteúdos de «elevada intimidade», e os ajudam a criar perfis no Facebook antes dos 13 anos (a idade em que podem abrir conta na rede social).

«Muitos têm o cuidado de supervisionar o que os menores publi­cam nos seus murais, ao mesmo tempo que eles próprios não colo­cam demasiadas fotografias nem imagens muito explícitas. Mas depois lá surge uma atividade em que a criança participa com os co­legas e é muito fácil outros pais partilharem-na», diz Sara Pereira, ciente da dificuldade de se fechar todas as portas quando cada uti­lizador se multiplica por centenas de amigos num efeito bola de ne­ve. «No limite, importa saber que tipo de fotografias é que se deve, ou não, postar no Facebook.» Fazer a distinção entre espaço públi­co e privado, coisa que nem sempre acontece. «Se vamos à piscina com os nossos filhos, por exemplo, é natural querermos partilhar o momento. Mas a verdade é que nunca sabemos quem está do ou­tro lado. E a imagem de uma criança em biquíni ou a fazer pose po­de ganhar um significado diferente se for retirada daquele contex­to de amigos para ser colocada noutro site, comprometendo a sua privacidade e intimidade.»

Tito de Morais, fundador do site MiúdosSegurosNa.Net para aju­dar famílias, escolas e comunidades a promover a segurança online dos mais novos, recorda-se de um caso: em agosto de 2008, quan­do falava no Messenger com a responsável de uma organização de proteção infantil, esbarrou num classificado anunciando a venda por cem euros em Lisboa, para atos sexuais ou outros, de uma meni­na loura de 2 anos. A descrição continha ainda uma frase referente aos genitais da criança e um número de telemóvel, tendo o anúncio sido imediatamente denunciado à Polícia Judiciária e ao site onde fora colocado (e removido ao fim de três horas, depois de se apurar tratar-se de uma brincadeira de péssimo gosto). Tito nunca soube se os pais da menina tiveram conhecimento do caso, mas o certo é que a fotografia foi copiada de um blogue que criaram para a filha e não chegaram a desativar.

«No caso do Facebook, o facto de as pessoas pensarem que só tem acesso às imagens publicadas quem se encontra ligado ao seu perfil cria uma falsa sensação de segurança», constata o autor, sublinhan­do que o mais seguro, para lá de quaisquer definições de privacida­de, é partirmos do princípio de que aquilo que dizemos e fazemos em privado se pode tornar público, mesmo o que não publicamos. «En­quanto uma foto tipo passe, se tiver o meu nome por baixo, é mera­mente identificativa, a mesma foto colocada na página dos crimino­sos mais procurados pelo FBI assume um significado completamen­te diferente. Por outro lado, temos tendência a esquecer-nos de que nem todos olhamos da mesma maneira para a imagem de um bebé ou de uma criança: felizmente, a generalidade das pessoas fá-lo com carinho e ternura, mas há quem o faça com outros sentimentos, no­meadamente como objeto de desejo sexual.»

Dados da Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas e da Polícia Judiciária revelam que, só no ano passado, a somar a 89 ca­sos de crianças com menos de 9 anos desaparecidas, foram refe­renciados 1326 casos de abuso sexual de menores, dos quais 49 víti­mas de tráfico e 17 referentes a investigações de tráfico para explo­ração sexual. A própria Polícia de Segurança Pública, empenhada em alertar para a questão da segurança das crianças no Facebook, pôs a circular a imagem de um bebé de rosto cortado por uma fai­xa negra, sentado nu numa bacia de pedra, com a seguinte mensa­gem: «Sabe que ele fica cá para sempre? Pense primeiro se preten­de divulgar a foto e, se o fizer, tenha em atenção as suas políticas de segurança e privacidade.» Porque a internet é uma ferramenta po­derosa, que tanto pode ser usada de forma inspiradora como des­truidora, Tito de Morais é de opinião que tudo o que seja de cariz íntimo não deve ser registado, já que as redes sociais «concentram num único local oportunidades – e riscos – antes dispersas por di­versos serviços e plataformas».

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Sofia Tojo é um desses casos que não partilham no Facebook aquilo que lhe parece imprudente nas interações ao vivo. «Se vou na rua com os meus filhos, não admito que ninguém que eu não conheça lhes tire fotos. Por isso também me parece despropo­sitado alguém ter acesso a imagens deles e poder usá-las para o que quiser», diz a professora, mãe de um casal de 4 e 7 anos. Lidar com crianças e adolescentes todos os dias na escola faz que o ins­tinto de proteção fale mais alto também na sua página de Face­book, onde partilha desenhos que os filhos fazem em vez de ima­gens pessoais. «Com os amigos chegados encontro-me em festas, jantares, piqueniques ou idas ao parque. Sou fundamentalista na questão dos afetos: não há nada como o convívio, o abraço, a con­versa sem horas para terminar», diz, determinada a impor os seus limites enquanto o fenómeno das redes sociais for «uma coisa re­cente e mal balizada, que dá asas à necessidade humana de saber da vida dos outros».

Tito de Morais confirma o perigo e percebe que muitos pais se deixem guiar pelo medo, mas ressalva que, como em tudo na vida, a virtude está no meio: nem encher o mural de fotografias das nos­sas crianças, que no futuro irão apreciar o facto de terem controlo sobre a sua identidade online; nem render-se ao pânico de publicar o que quer que seja, uma vez que há muitos familiares que vivem a largos quilómetros de distância e gostam de ver crescer os reben­tos, ainda que seja via Facebook.

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Tânia Sousa, designer gráfica e mãe de uma menina, não sabe co­mo faria sem o Facebook para viver em família, ela que tem a única cunhada e as sobrinhas em França e seis tias «com toda a prole» no Norte. «Quando se justifica, quando há momentos que acho engra­çado dividir com quem me é próximo, vou postando fotos da Bia», diz, sempre com o cuidado de manter a lista encurtada para os ami­gos e não aberta aos conhecidos, como teve em tempos. «É a forma mais prática de se partilhar coisas e, se as pessoas não gostam de fazê-lo, então não faz sentido aderirem ao serviço. A não ser que se­jam do tipo que gosta de coscuvilhar a vida dos outros sem querer que se saiba nada da sua.» O fundador do MiúdosSegurosNa.Net concede ser impossível eliminar todos os riscos, mas garante que podemos minimizá-los optando por publicações privadas ou res­tritas, num grupo secreto apenas acessível a quem quisermos e on­de os conteúdos não são partilháveis (ver caixa).

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Sandra Pereira não receia, caso contrário não publicaria as foto­grafias de Maria, 11 anos, e Diogo, 7 meses. Mas recusa pedidos de amizade de desconhecidos e já lhe aconteceu pedir a um familiar que retirasse a partilha que fez de uma fotografia dos filhos por não lhe conhecer os amigos. «Posto sempre que me apetece, não resis­to. Como tenho família em várias zonas do país, incluindo a minha irmã na Madeira, é uma forma de seguirem, ainda que ao longe, o crescimento dos meus filhos», diz a jornalista, para quem o segredo é ser conscienciosa. «Respeito quem não partilhe, mas penso que é tudo uma questão de termos cuidado com as imagens que colo­camos. Hoje em dia é quase impossível mantermo-nos anónimos, da maneira como somos observados pelo Google Earth ou por câ­maras de vigilância nas ruas e em centros comerciais…» Resta-lhe – e a todos nós – partilhar as crianças com sobriedade, protegen­do-lhes a privacidade para que elas mesmas possam dar cabo dela quando crescerem.

DICAS PARA A SEGURANÇA DE TODOS – E NÃO APENAS DAS CRIANÇAS

_APRENDA A USAR O FACEBOOK. Tal como não passaria pela cabeça de ninguém usar uma serra elétrica à toa, o Facebook é uma ferramenta útil desde que manuseada com responsabilidade. Tirar um pequeno curso de redes sociais ou aprender com amigos que percebam do assunto pode ser boa ideia.

_NÃO DIVULGUE PORMENORES DA SUA VIDA PESSOAL. Muitos utilizadores partilham demasiada informação que pode ser usada para fins menos próprios. Dizer, por exemplo, que vai de férias na próxima semana pode significar para alguns que a sua casa estará vazia em breve. Se entretanto já tiver publicado imagens que dão indicações do lugar onde mora, o risco aumenta.

_NÃO PUBLIQUE FOTOGRAFIAS EM ÁLBUNS ABERTOS PARA TODOS. Quanto mais pessoas virem uma determinada imagem, mais hipóteses ela tem de cair nas mãos erradas. Uma boa razão para ajustar as configurações de privacidade e agrupar os seus amigos em listas, de modo a garantir que só as partilha com aqueles em quem mais confia e não com os amigos dos amigos, ou com aqueles amigos que adicionou sem conhecer na vida real.

_PROTEJA AS PASTAS DE FOTOGRAFIAS COM PASSWORD. Ninguém está livre de ser assaltado ou de perder os aparelhos onde guarda as fotografias de família. Arquivá-las em ficheiros protegidos por uma palavra-passe dificulta o acesso de estranhos às mesmas.

_MANTENHA AS PARTILHAS CONTROLADAS. Na medida do possível, e após assegurar-se de que tem os perfis de segurança configurados para que só os seus amigos possam ver o que publica, peça-lhes para não partilharem fotografias suas e/ou das suas crianças. Não hesite em pedir-lhes para removerem um post caso o considere inadequado.

AS FOTOGRAFIAS QUE NUNCA DEVEM SER POSTADAS

_AS DE CRIANÇAS NUAS, DE FRALDAS OU NO BANHO. Inocentes aos olhos da maioria das pessoas, podem tornar-se um prato cheio para utilizadores maldosos que as ponham a circular em redes criminosas ou façam um uso ainda mais abusivo das informações obtidas nas redes sociais.

_AS DE CRIANÇAS COM UNIFORMES ESCOLARES. Através de uma farda é possível identificar a escola que uma criança frequenta, por vezes até o ano. Se além disso o Facebook divulgar o nome dos pais, dos menores e uma série de outros dados pessoais, não é descabido pensar que possam surgir sarilhos.

_AS QUE PODEM CAUSAR CONSTRANGIMENTO. Por muito engraçada que uma imagem possa parecer quando é tirada, os pais devem lembrar-se de que as suas crianças não gostarão de se ver expostas ao ridículo. Imagens embaraçosas à solta na rede podem vir a ser usadas em situações de bullying.

_AS DOS FILHOS DOS OUTROS. Qualquer pai tem o direito de exigir que uma fotografia do filho seja retirada do Facebook quando postada sem autorização. Lembre-se de perguntar aos outros pais se pode publicar imagens em que as crianças deles apareçam (ex.: visitas de estudo ou festas de aniversário).

_AS DE CRIANÇAS COM OBJETOS DE VALOR. Os amigos ficarão contentes com o seu sucesso e a alegria da pequenada, mas para quê chamar a atenção para os bens materiais da família? Ou fazer o seu filho correr riscos desnecessários porque recebeu um iPad e publicou uma fotografia a exibi-lo?

_AS QUE PERMITEM IDENTIFICAR O LOCAL ONDE FOI TIRADA. Os smartphones e algumas câmaras vêm equipados com um geolocalizador que identifica e torna público o lugar onde cada fotografia é tirada. Desative-o para não correr o risco de as imagens darem a terceiros informações que só lhe interessam a si.

_AS DE ALTA RESOLUÇÃO. Uma vez que perdemos o controlo de uma imagem quando a colocamos na web, é preferível partilhar com os amigos as de baixa resolução, menos fáceis de editar, manipular e utilizar.

_AS QUE FORNECEM PISTAS SOBRE A SUA MORADA. Prédios, uma loja conhecida e outros pontos de referência do lugar exato onde moramos devem ser evitados. Há coisas que é preferível manter na esfera privada.

«AS DEFINIÇÕES DE PRIVACIDADE EXISTEM PARA NOSSA PROTEÇÃO»

Entrevista a Teresa Andrade, psícóloga infantil, professora na Escola Superior Egas Moniz e formadora na área do luto.

 Quais os riscos de se partilhar fotografias de crianças no Facebook?
_Os maiores decorrem da possível utiliza­ção por pessoas que possam estar ligadas a redes de pedofilia ou tornar as crianças mais vulneráveis a raptos para outros fins, seja adoção ilegal seja para chantagear ou exercer vingança sobre os pais. As imagens são uma parte do problema, mas todas as informações objetivas relacionadas com a criança e a família (nome do colégio, jardim onde vai brincar, locais de ativida­des extracurriculares, nome dos amigos, brinquedos favoritos, praia onde vai com os avós e outros), são elementos que permi­tem a qualquer pessoa aproximar-se com facilidade.

Pensarmos nos «amigos» da rede social como amigos reais cria uma sensação de segurança perigosa?
_As definições de privacidade existem para nossa proteção. E há pouca atenção a isso face a conteúdos relacionados com as crianças. Achamos que todos os que acedem à informação são iguais a nós e não é verdade. Depois, quando chegamos aos 500 amigos, já nem nos lembramos de quem pode ver o que postamos.

Que imagens não devem ser publicadas em nenhuma circunstância?
_As que identifiquem demasiados detalhes da criança, as que a mostrem despida ou explicitem locais exatos e rotinas, as que envolvam mais crianças associadas em cir­cunstâncias idênticas, como uma festa. As que exponham visivelmente posses e bens e criem a ilusão de que as pessoas estão muito bem economicamente.

Como podemos ensinar as crianças a dis­tinguir o que é público do que é privado?
_Há que educar os pais para os perigos da exposição dos mais novos. Depois é essencial sensibilizar a criança, mostrar-lhe exemplos de situações que acontecem dia­riamente a pequenos que se expõem dema­siado, e dizer-lhe que são casos que podem suceder a qualquer um. A educação na escola também é fundamental, assim como ir divulgando a mensagem na televisão, em canais próprios para as crianças.

Links úteis:

A média de idade para as crianças adquirirem presença online é de seis meses e acontece por intermédio dos pais. Mais de 70 por cento das mães admitem ainda que posta(ra)m imagens dos filhos para partilhá-las com familiares e amigos. Tudo aqui

Como é que as crianças até aos oito anos utilizam a internet? Quais os riscos que correm? O que fazem as famílias? Conclusões do projeto EU Kids Online para ler aqui

A pergunta que fica na cabeça dos pais, depois de terem consciência de todas as ameaças que rondam os filhos quando estão ligados, é seguramente: «Como vou controlar isto?» Muitas dicas úteis para discutir em família aqui

No Facebook, o facto de as pessoas pensarem que só tem acesso às imagens publicadas quem se encontra ligado ao seu perfil cria uma falsa sensação de segurança. Há fotos que nunca deve publicar. Saiba quais aqui

O pior caso de que Tito de Morais se recorda levou-o a escrever o artigo Blogs de Bebés e Segurança, onde relata o caso aqui

Os smartphones vêm equipados com um geolocalizador que identifica e torna público no Facebook o lugar onde cada foto é tirada. Saiba porque o deve desativar aqui  e como fazê-lo aqui

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